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Moro interrompe Fernando de Morais após relato de elogio a Lula

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SÃO PAULO. O juiz Sergio Moro interrompeu o depoimento do jornalista e escritor Fernando Morais, chamado como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo em que ele é acusado de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras no sítio de Atibaia, para dizer que o processo estava sendo usado para "propaganda". Morais afirmou que desde 2011 acompanhava todas as viagens de Lula, com o objetivo de fazer uma biografia a pedido da Cia das Letras, e que as palestras de fato foram realizadas - o Ministério Público Federal investiga se as palestras foram pagas como forma de transferência de propina.

A interrupção ocorreu quando Morais relatou que Lula se encontrou em Londres com Bono Vox, vocalista do U2, e que o cantor elogiou o ex-presidente, ao dizer que depois de Mandela apenas Lula poderia unir ricos e pobres, brancos e negros e gordos e magros.

Nesse momento, Morais foi interrompido por Moro:

- Essa questão não tem nenhuma relevância para o julgamento. Acho que o processo não deve ser usado para esse tipo de propaganda - disse o juiz, acrescentando que questões "meritórias" devem ser divulgadas fora do processo.

- Propaganda? - indagou Morais, que pediu a palavra, mas o juiz não o deixou falar.

A defesa de Lula argumentou que estava produzindo provas de que as palestras de Lula foram feitas e que os encontros eram transparentes, já que Morais disse que nunca lhe pediram para que saísse da sala em nenhuma das agendas do ex-presidente.

Ao retomar a palavra, após pergunta do advogado de Lula, o escritor afirmou que repudiava a comparação com propaganda, que que as viagens eram pagas pela editora e que só ia no mesmo avião do ex-presidente quando sobrava lugar. E disse que não tem razão para fazer propaganda de quem quer que seja e que não iria "jogar fora" carreira de 50 anos para fazer propaganda de um ex-presidente.

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