SÃO PAULO - O juiz federal Sérgio Moro ouve nesta terça-feira o pecuarista José Carlos Bumlai e outras três testemunhas de acusação em processo que tem como réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta ação penal, o ex-presidente é acusado de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao seu apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. De acordo com a Lava-Jato, os imóveis foram comprados pela Odebrecht em troca de contratos firmados pela empreiteira com a Petrobras.
Além de Bumlai, falará a Moro nesta terça-feira Tatiana Campos, antiga dona do apartamento vizinho ao de Lula. Durante o período em que ele foi presidente, a família de Tatiana alugou o apartamento para a Presidência da República. No fim de 2010 o imóvel foi vendido para Glauco Costamarques, primo de Bumlai. A família Lula diz que alugava o imóvel, mas não comprovou os pagamentos. A PF localizou apenas um contrato de locação.
No fim de abril, Bumlai foi colocado em liberdade pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele havia sido preso em novembro de 2015 na Operação Lava-Jato e cumpria pena de 9 anos em casa em razão de sofrer de um câncer na bexiga e problemas cardíacos.
Nesta quarta-feira, está previsto o depoimento de A defesa de Lula pediu adiamento do interrogatório.
Outras sete pessoas também são rés no processo em que Bumlai depõe hoje. A ex-primeira dama Marisa Leticia chegou a ser acusada, mas a ação contra ela foi arquivada por Moro após a morte de Marisa Letícia, em fevereiro deste ano.
Bumlai e outras duas testemunhas prestam depoimento a partir das 9h30min, por videoconferência de São Paulo. O pecuarista, que era amigo de Lula, também foi arrolado como testemunha de defesa do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, também réu neste mesmo processo.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Bumlai foi apresentado como o primeiro interessado na compra do imóvel onde seria construída a nova sede do Instituto Lula. Durante a negociação, o pecuarista indicou como comprador um parente dele, Glauco da Costamarques, mas o imóvel acabou sendo colocado em nome da DAG Construtora LTDA., dirigida por Demerval De Souza Gusmão Filho, que também é réu na ação, ligado a Marcelo Odebrecht, segundo a acusação.

