Início Brasil MPF pede indenização de R$ 4 milhões de procurador e advogado delatados por JBS
Brasil

MPF pede indenização de R$ 4 milhões de procurador e advogado delatados por JBS

Envie
Envie

BRASÍLIA- A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu na Justiça a perda da função pública e o pagamento de uma indenização de R$ 4 milhões pelo procurador da República Ângelo Goulart Villela e pelo advogado Willer Tomaz de Souza, presos por supostamente receberem propina para fornecer informações sigilosas de investigações aos donos do grupo JBS. Os dois são alvos de uma ação de improbidade administrativa proposta nesta quinta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF).

A prisão dos dois foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, dentro da operação deflagrada em maio para investigar também o suposto pagamento de propina da JBS ao presidente Michel Temer e ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). O procurador e o advogado já foram soltos.

Ângelo e Willer são réus em ação penal e, agora, poderão responder pelos mesmos atos na esfera cível. O acordo de leniência assinado pelos donos da JBS os livrou da ação de improbidade proposta à Justiça Federal em Brasília.

As investigações revelaram que Ângelo, então integrante da força-tarefa da Operação Greenfield na própria Procuradoria da República no DF, vazou informações e documentos sigilosos a Joesley Batista, em troca de propina. A promessa era de uma mesada de R$ 50 mil, segundo as investigações. O aliciamento teria sido feito por Willer, que recebeu R$ 4 milhões do grupo JBS, ainda conforme as apurações.

A conduta levou a um "enriquecimento ilícito e atentou gravemente contra princípios da administração pública", cita a ação de improbidade assinada pelo procurador Hebert Mesquita. Entre as provas da atuação de Ângelo estão a gravação de uma reunião do grupo da Greenfield em que os investigadores conversaram com ex-sócio de Joesley. O empresário, em sua delação premiada, disse ter recebido esse áudio, por meio de Willer. Relatórios sigilosos da operação também chegaram às mãos de Joesley, conforme citado na ação.

A ação de improbidade pede limite máximo de punição ao procurador, que está afastado de suas funções. Os R$ 4 milhões em indenização equivalem ao valor dos supostos pagamentos indevidos. A ação tramitará na 17ª Vara Federal Cível em Brasília.

Siga-nos no

Google News