RIO - O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou para a Justiça Federal do Rio de Janeiro o teor da delação premiada de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que comandava o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado "departamento da propina", envolvendo o Deputado Estadual do Rio de Janeiro Jorge Picciani (PMDB-RJ). Em seu depoimento, Benedicto relata que a construtora Odebrecht repassou pagamentos a Jorge Picciani a "pretexto de doação eleitoral" em 2010 e em 2012. Os valores somam R$ 5,4 milhões.
Na gravação, o então executivo da construtora disse que no primeiro semestre de 2010 foi concovado para uma reunião com Jorge Picciani, que era presidente do PMDB no Rio. "Ele solicitou a possibilidade para fazer a doação de campanha para o Senado. Naquela data em 2010, pela conjuntura, como presidente do PMDB no Rio, avaliamos que ele era o candidato mais forte, e para mim seria melhor que ele fosse senador", disse Benedicto.
No encontro, que ocorreu na sede do PMDB no Rio, Picciani teria solicitado R$ 5 milhões. Benedicto explicou que o pagamento foi feito em três parcelas de € 700 mil. Para realizar o pagamento, Picciani informou que o executivo da construtora seria procurado por José Augusto, que, segundo Benedicto, é o acionista majoritário do banco BVA.
“Eu avaliei que para a gente seria muito bom se ele ganhasse a eleição para o Senado. E decidi fazer a contribuição. Ele disse que eu ia ser procurado por José Augusto, dono do Banco BVA. Ele era majoritário, o controlador do banco", disse Benedicto ao ser perguntado durante a delação.
Ele apresentou as evidências do pagamento à Justiça. "O sistema (da Odebrecht) é complexo, grande. Só temos as evidências de que foram feitos três pagamentos de 700 mil euros para o doutor José Augusto do BVA", destacou Benedicto.
Em outro momento da gravação, Benedicto disse que foi procurado novamente por Picciani em 2012. "Em 2012 me procurou novamente. O pedido era para campanhas municipais do PMDB. Ele pediu R$ 400 mil reais. O pagamento foi em espécie. Foi usado o doleiro Álvaro José Novis", disse.
Jorge Picciani, em nota, disse que “todas as doações às minhas campanhas foram espontâneas, legais e declaradas à Justiça Eleitoral. Responderei com tranquilidade a isso, caso seja determinada a abertura de inquérito”.

