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Operador diz ter usado dinheiro da Odebrecht para pagar empréstimo com Joesley

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SÃO PAULO. Acusado por executivos da Odebrecht e do Grupo J&F de operar propina para políticos do PT, PMDB e PSB, o publicitário André Gustavo Reis disse em depoimento à Polícia Federal (PF) ter gastado R$ 3 milhões que recebeu em espécie do setor de propina da Odebrecht para pagar “despesas pessoais” relacionadas a imóveis de “alto padrão” que mantém em Porto de Galinhas (PE) e na praia de Boa Viagem, em Recife (PE). Um terço deste valor — R$ 1 milhão — teria sido usado para para quitar um empréstimo com o empresário Joesley Batista, dono da J&F. Ele não deu mais detalhes sobre a transação.

Com base na delação de Marcelo Odebrecht e do executivo da empreiteira Fernando Reis, o Ministério Público sustenta que os R$ 3 milhões tinham como destinatário o então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, em troca da liberação pelo banco estatal de um crédito de R$ 1,7 bilhão para a Odebrecht, em 2015. Nesta segunda, o juiz Sérgio Moro converteu as prisões de Bendine e Vieira de temporárias em preventivas, ou seja, sem prazo para libertação, por considerar haver risco de obstrução à Justiça.

Em seu depoimento, Vieira argumentou que os pagamentos da Odebrecht seriam referentes a uma consultoria prestada à época do pagamento, para “aproximar os corpos técnicos da Odebrecht e do Banco do Brasil” e destravar o contrato. O publicitário argumenta que o valor inicial de sua consultoria era de R$ 17 milhões, ou seja, 1% do contrato do banco com a empreiteira. Ele disse que “entende que fez o seu trabalho e tem direito a receber pelo que fez” e, por isso, ainda “vai cobrar o restante do valor” de Marcelo Odebrecht, atualmente cumprindo pena de prisão em Curitiba.

Perguntado sobre o motivo de ter aceitado receber pela suposta consultoria em dinheiro, sem emissão de recibo ou assinatura de contrato, com a indicação de senhas como “oceano, rio e lagoa” para receber os valores, Vieira informou que “isso era um hábito da Odebrecht de pagar a todos”, o que “muitas vezes não dava opção às pessoas”.

Para o publicitário, o que Marcelo Odebrecht chamou de “achaque”, uma “expressão desrespeitosa e arrogante”, na verdade deveria ser chamado como “cobrança pelo trabalho prestado”.

Ao tornar nesta segunda-feira a prisão de Vieira medida por tempo indeterminado, o juiz Sérgio Moro disse que sua atuação, ao lado de Bendine e do irmão Antônio Vieira, traz “risco à ordem pública”. Para Moro, a prisão preventiva é necessária para “interromper um ciclo delitivo de dedicação à prática de crimes contra a Administração Pública, especialmente o recebimento e a intermediação de vantagem indevida, e de crimes de lavagem de dinheiro”.

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