SÃO PAULO - O ex-ministro Alexandre Padilha disse em depoimento ao juiz Sergio Moro, nesta sexta-feira, que o ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar participou de uma reunião de sua campanha ao governo paulista em 2014 pelo PT e prometeu fazer uma doação formal. Contudo, a assessoria de Padilha disse que o repasse acabou não sendo feito à campanha do ex-ministro. Na ocasião, Padilha acabou derrotado por Geraldo Alckmin, ex-governador.
O ex-ministro falou como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio de Atibaia, que é acusado de se beneficiar da reforma do imóvel, por obras no valor de R$ 1, 05 milhão, por meio de empreiteiras como Odebrecht, OAS e do pecuarista José Carlos Bumlai.
— Em 2014, eu era candidato ao governo de São Paulo. A coordenação de campanha organizava reuniões com vários setores. Alexandrino estava presente numa dessas reuniões. E nela prometeu fazer doação formal a minha campanha e a outra candidaturas também - disse o ex-ministro, no final do depoimento após falar cerca de 30 minutos.
Em delação, Alexandrino Alencar disse que deu R$ 1 milhão à campanha de Padilha de 2014. O repasse teria sido feito por meio de caixa 2 e foi encaminha aos procuradores da Justiça Federal paulista. Em nota, a assessoria do ex-ministro informou que não houve doação direta da Odebrecht para campanha ao governo de São Paulo em 2014.
“Em fevereiro de 2017, tive a aprovação das contas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo desta campanha, ou seja, as doações recebidas e a prestação de contas foram analisadas e ratificadas pela justiça, o que atestam o rigor no cumprimento das regras da lei”, disse o ex-ministro.
Na prestação de contas de Padilha não constam doações da Odebrecht, somente da Braskem, empresa do grupo, que repassou menos R$ 10 mil ao candidato, conforme consta no site do Tribunal Superior Eleitoral.

