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Palocci definia com Marcelo Odebrecht valores de doações por caixa 2, segundo Mônica Moura

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BRASÍLIA - Ministro dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff que estaria tentando fechar uma delação premiada da cadeia, Antonio Palocci é apontado como a pessoa que definia, em reunião anual com Marcelo Odebrecht, o montante que seria destinado por caixa dois a campanhas e quais políticos receberiam o dinheiro, segundo delação da empresária Mônica Moura.

Segundo documento a partir das declarações de Mônica, depois de estabelecido um teto, Palocci "tinha plena liberdade de pedir para que os pagamentos fossem feitos para quem ele indicasse". Esse era o chamado "Projeto Italiano", disse a empresária.

Ela teria sido informada do papel de Palocci numa reunião, possivelmente em 2012, com Fernando Miggliaccio, executivo da Odebrecht que trabalhava no Setor de Operações Estruturadas, criado para gerenciar o pagamento de propinas.

Mônica também diz ter presenciado outro executivo da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, reclamar de pedidos exagerados de Palocci em relação aos pagamentos. Ele teria se queixado, segundo anexo da delação da empresária, de "coisas do tipo italiano já estourou a cota dele este ano".

A empresária também afirmou em sua delação que recebeu pagamentos em espécie de um advogado e de uma secretária da líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), referente à campanha dela em 2008 à Prefeitura de Curitiba. De acordo com a delatora, a campanha custou R$ 6 milhões, mas apenas R$ 1,3 milhões foram pagos de forma oficial.

Segundo o relato, a negociação financeira foi feita com o então ministro do Planejamento Paulo Bernardo, marido de Gleisi. Diante do atraso nos pagamentos do caixa dois, Mônica cobrou algumas vezes o casal. Mônica disse que recebeu recursos de uma secretária de Gleisi, da qual não lembra o nome, e do advogado Guilherme Gonçalves, que defendeu a petista durante o pleito.

“Mônica Moura informa que a secretária do comitê regional do PT, uma moça nova, de confiança de Gleisi Hoffmann, cujo nome informou não se recordar, lhe entregou valores em espécie em algumas oportunidades, assim como o chefe jurídico de campanha, Guilherme Gonçalves, também fez alguns pagamentos. Com relação a esses pagamentos, ela relata que os recebeu no escritório de advocacia de Guilherme umas duas vezes”, afirmou a Procuradoria-Geral da República na petição que trata do tema.

Ao final da campanha tinha ficado uma dívida de R$ 1,5 milhão relativo ao caixa dois. Paulo Bernardo, então, disse para Mônica procurar o empresário paranaense Joel Malucelli, dono de um grupo que atua em diversas áreas no Paraná, de construtora a veículos de comunicação. O empresário sugeriu um contrato fictício para quitar a dívida, mas João Santana não aceitou. Por fim, o ex-ministro Antonio Palocci prometeu resolver a dívida, o que ocorreu em 2009.

A empresária acusou Ricardo Franco, filho do ex-governador Albano Franco (PSDB-SE), de intermediar pagamentos de caixa dois da campanha de Francisco Rollemberg ao governo de Sergipe em 2002. Segundo ela, a campanha custou R$ 6 milhões. Rollemberg era, na eleição, o candidato de Albano Franco. Com base na denúncia da empresária, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu e o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enviar para a Justiça e o Ministério Público de Sergipe das acusações contra Rollemberg e Franco.

"A colaboradora informa que a campanha de Sergipe custou cerca de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) e foi paga em grande parte com recursos não contabilizados, que eram levados e entregues pelo filho de Albano Franco, Ricardo Franco", diz Janot ao resumir sobre o depoimento de Mônica Moura. A partir de agora, caberá ao Ministério Público de Sergipe aprofundar a apuração e decidir se denuncia ou não os nomes mencionados pela empresária.

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