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Palocci pechinchava muito valores, mas dependia da palavra do chefe, diz Mônica Moura

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BRASÍLIA - Em um dos depoimentos de sua delação premiada, a empresária Mônica Moura relatou que o ex-ministro Antônio Palocci "pechinchou muito" o valor da campanha de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, tocada pelo marqueteiro João Santana. Foram várias reuniões até acerta o valor, pago na maior parte por meio de caixa dois. Segundo Mônica, que é mulher de Santana e cuida das finanças do marido, Palocci costumava dizer que os valores cobrados estavam muito caros e que não poderiam ser autorizados por ele, porque precisava conversar primeiro com o chefe, ou seja, o próprio Lula.

Em depoimento prestado em 6 de março deste ano, Mônica contou que Santana aceitou convite de Palocci para fazer a campanha de Lula. O marqueteiro disse então para o ex-ministro falar com a esposa, que era responsável por acertar valores.

— Nós nos reunimos, eu e Palocci. Nessa época as reuniões todas eram feitas em São Paulo, as minhas com Palocci. Esse nosso, esse nosso, essa nossa conversa sobre negociação durou umas três ou quatro reuniões. Porque foi difícil, ele achava caro, voltava e dizia que tinha que conversar com o chefe, que era Lula, porque não podia aprovar um valor daquele. Pechinchou muito — contou Mônica.

Ela disse que os dois chegaram a um valor: foram cerca de R$ 18 milhões para a campanha no primeiro turno, dos quais apenas R$ 8 milhões seriam pagos oficialmente.

— E enfim chegamos a um acordo de valores nessa época. Ele me disse mais uma vez, já tinha acontecido em 2004, que esse valor do marketing não podia ser pago todo oficialmente, que nós tínhamos que chegar ao meio termo para que uma parte fosse paga por fora. Nós chegamos a esse meio termo depois de muita discussão — disse a empresária.

Nos anexos da delação, entregues pela defesa do casal durante as negociações para firmar o acordo de colaboração, Santana já tinha sustentado que, segundo Palocci, as decisões definitivas relativas aos pagamentos dependiam da "palavra final do chefe". Questionado em depoimento prestado em 6 de março sobre o tema, Santana disse:

— Palocci sempre falava: isso aí só com o respaldo do chefe. Ele falava isso para Mônica principalmente.

Perguntado sobre quais eram os assuntos que precisavam do respaldo do chefe, o marqueteiro respondeu:

— Primeiro o montante da campanha, o preço final da campanha sempre. Ele nunca bateu o martelo com Mônica num preço sem que... Isso vai acontecer nas outras campanhas, já com ele ou com (João) Vaccari (ex-tesoureiro do PT). Então sempre a palavra final, ou por teatro ou não, ou para ter mais tempo para barganha de negociação...

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