Responsável por coordenar o serviço nas dependências da residência do papa, ela trabalha há 25 anos no Sumaré. Ao todo, a equipe tinha 43 freiras que atendiam à comitiva do papa em seus aposentos. Cada uma recebeu um terço de pérolas do Vaticano, muitos agradecimentos do pontífice e só um pedido: orações. "Era o que a gente imaginava. Fiquei muito edificada com a simplicidade com que chegava nas pessoas. Pedia muito para rezarmos por ele", relembrou. "Ele é muito lindo em tudo. O sorriso dele ficou guardado."
A maratona de trabalho no Sumaré, que incluía o preparo das refeições e limpeza dos quartos, começava às 5h e se estendia até depois da meia-noite, após os 46 hóspedes se recolherem. Francisco se levantava cedo. Em seu quarto, dispunha de um kit de higiene, composto por sabonetes, xampus e cremes doados por uma empresa de cosmético.
O café da manhã, servido na mesa, tinha pão de queijo, sucos e uma variedade de frutas nacionais - a preferida foi o abacaxi. O pão de queijo, uma especialidade da cozinha, já havia encantado o papa João Paulo II. "Ele provou de tudo, mas a gente colocava pão de queijo na mesa e via que ele comia bem".
A extensa programação de eventos fez com que o papa se recolhesse por volta das 23h. No sábado, após a vigília em Copacabana, o cansaço do pontífice não passou despercebido pelas irmãs que o aguardavam. "Os eventos terminavam muito tarde. Ele chegava do jantar e subia para descansar."
Dentro da residência, o papa se manteve reservado. Quando não estava nos seus aposentos, descansando das atividades, ficava na capela, fazendo suas orações. O tempo inteiro, a segurança da residência era feita por policiais da gendarmaria , a guarda italiana do Vaticano.
Na área externa, agentes da Polícia Federal, da Guarda Florestal e da Polícia Militar faziam patrulhas.
Pouco antes de deixar o espaço, o papa reuniu os integrantes da segurança, cumprimentou um por um e pediu, novamente, que orassem por ele. Policiais que trabalharam na sua escolta, abrindo a passagem pela cidade durante toda a semana, também receberam uma bênção especial. "Ele cumprimentou todo mundo e brincou, disse que éramos equilibristas", contou o sargento Pestana, integrante do Batalhão de Choque. "Ele é um parceirão", resumiu.

