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Pedido de tornozeleira para Rocha Loures foi ‘inédito’, diz coronel

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BRASÍLIA — O superintendente responsável por fornecer uma tornozeleira eletrônica a Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o “deputado da mala”, disse ao GLOBO que este foi o único pedido do tipo feito pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) — vinculado ao Ministério da Justiça — durante sua gestão na Superintendência de Administração Penitenciária do governo de Goiás. Coronel da reserva da Polícia Militar (PM), Victor Dragalzew Júnior exerceu o cargo de autoridade máxima do sistema prisional de Goiás entre março de 2016 e a noite de segunda-feira, quando foi demitido do cargo pelo governador Marconi Perillo (PSDB). Ele admitiu que o episódio da concessão da tornozeleira ao ex-assessor especial do presidente Michel Temer “acelerou” a exoneração.

— Em relação à tornozeleira, aconteceu isso (um pedido do Depen) uma única vez na minha gestão. Para mim foi uma única vez. O único caso foi este do deputado. O Depen nunca pediu para emprestarmos tornozeleiras a outros estados — disse Dragalzew.

O ex-superintendente de Administração Penitenciária afirmou ainda que, ao fazer o pedido, o gestor do Depen — “coronel Jeferson” — não especificou para quem se destinava a tornozeleira eletrônica. Segundo Dragalzew, ele só soube que se tratava do amigo de Temer com a chegada dos documentos encaminhados por Depen e Polícia Federal (PF). Isto teria ocorrido no dia seguinte ao pedido, quando o dispositivo, então, foi acoplado ao corpo de Rocha Loures, em Goiânia.

— A informação que chegou era que precisavam de uma tornozeleira para alguém que estava sendo apenado. O Depen é um parceiro do Estado de Goiás, temos vários contratos. Achei que deveria atender, até porque o processo das tornozeleiras de Brasília está em andamento. Eu era superintendente, tinha autonomia para tomar essa decisão. Tomei na melhor das intenções. Não sabia quem era a pessoa que ia receber a tornozeleira. Sabia apenas que tinha uma decisão do STF, que a PF precisava e que o Depen estava pedindo — afirmou.

Loures foi preso pela PF em 3 de junho, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de ser filmado pela polícia correndo com uma mala contendo R$ 500 mil, suposta propina paga pela JBS e cujo destinatário seria Temer, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). No último dia 1º, a prisão preventiva foi convertida em prisão domiciliar, sob monitoramento com uma tornozeleira eletrônica. Como não havia equipamento disponível em Brasília, onde o ex-deputado ficou preso, o dispositivo foi solicitado ao governo de Goiás.

O GLOBO mostrou na quarta-feira que o amigo de Temer furou uma fila onde estão um acusado de traficar 3,5 quilos de maconha, que permaneceu preso por faltar tornozeleira; um agressor enquadrado na Lei Maria da Penha, que permanece sem monitoramento mesmo depois de ter ameaçado de morte a ex-mulher; e empresários que lesaram centenas de clientes de pacotes de viagens. O Ministério Público de Goiás investiga a concessão da tornozeleira e pede a devolução do equipamento.

— O plantonista recebeu toda a documentação num domingo, na Casa do Albergado, e encaminhou na segunda-feira para nós. No pedido não entraram em detalhe se era político, se era ciclano, se era fulano. A tornozeleira foi colocada no domingo, e no domingo não tem expediente. A gente não foi lá ver, eu não fui lá. Vi a documentação só depois. Não havia motivo para contestar Depen, PF, STF — disse o ex-superintendente do sistema prisional em Goiás.

Na terça-feira, O GLOBO questionou o Depen sobre um depoimento de Dragalzew ao MP em que ele diz ter sido procurado pelo órgão para fornecer a tornozeleira. Ontem, o Depen respondeu que “não irá mais se manifestar a respeito deste assunto”.

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