SÃO PAULO. Em audiência com o juiz Sergio Moro nesta segunda-feira, o ex-deputado Pedro Corrêa apresentou fotos com o ex-presidente Lula na tentativa de desmentir o petista, que negou ter relações com o parlamentar pepista — em seu depoimento do dia 10 de maio em Curitiba. Segundo Corrêa, que na ocasião presidia o PP, as reuniões ocorriam no Palácio do Planalto, para tratar supostamente de pagamentos de propina aos parlamentares para garantir o apoio da base ao governo Lula.
O ex-deputado disse que as imagens servem para corroborar um dos anexos de sua delação premiada sobre sua relação com Lula. A defesa de Corrêa disse que ele prestou um novo depoimento na Justiça Federal de Pernambuco, na tentativa de obter um acordo com a Força-Tarefa da Lava-Jato. Contudo, sua colaboração aguarda a homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
— Eu não era um desconhecido do Lula, como ele afirmou que não tinha relação comigo. Eu vivia no Palácio do Planalto, e participava de pelo menos duas reuniões por mês do Conselho Político, com todos os presidentes dos partidos.
O ex-deputado disse que as fotos mostram Lula e o ex-ministro José Dirceu em encontros com Corrêa e outros então membros da bancada do PP, como Pedro Henry. Ele também citou reuniões que teria participado com Lula, Dirceu e Palocci, além de Roberto Jeferson, delator do mensalão e Roberto Freire, então presidente do PCdoB.
Corrêa tentou celebrar acordo no ano passado, mas a corte negou a proposta sob a alegação de falta de provas.
Na ação penal em que Corrêa prestou depoimento hoje, o Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo.

