BRASÍLIA - Para tentar identificar o padrão de gravação do equipamento usado pelo dono da JBS, Joesley Batista, para gravar o presidente Michel Temer os peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal fizeram diversos ensaios para constatar a inexistência de adulteração no áudio. Isso permitiu descobrir como funcionava o gravador e compreender melhor o que levou tanto às interrupções quanto aos ruídos presentes na gravação. Dois aparelhos foram entregues pela JBS e os peritos identificaram qual gravou a conversa.
O primeiro teste foi comparar como o gravador se comportava ao ser colocado em bolsos ou escondido dentro de peças de roupas em momentos de diálogo entre dois interlocutores. Verificou-se também como funcionava o equipamento em deslocamentos a pé e de carro.
Os peritos fizeram cálculos para identificar com qual frequência sonora a gravação era ativada e em qual momento se desativava. Deram ainda batidas no microfone de forma acidental que aconteceria em uma conversa para verificar o tipo de ruído.
“Os ruídos produzidos durante a utilização dos equipamentos nos ensaios é compatível com o observado nos áudios questionados, e está tipicamente associado à utilização de equipamento de escuta ambiental, ocultado nas vestes, onde é possível o atrito entre o microfone de captação e as superfícies adjacentes”, afirmaram os peritos.
Os testes demonstraram que o equipamento era sensível a qualquer tipo de movimento, a ponto de cruzar ou descruzar pernas e braços interferirem na gravação.
“Além disso, a mera movimentação corporal, como o cruzar e descruzar de pernas, movimentação dos braços e similares, causam atritos entre o microfone de captação e as superfícies das vestes e do corpo, causando ruídos típicos e intensos, conforme pode ser visualizado”, afirmaram os peritos.
O documento tem 123 páginas e é assinado pelos peritos Paulo Max Gil Innocêncio Reis e Bruno Gomes de Andrade.

