RIO – O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, anunciou nesta sexta-feira a criação de um grupo de trabalho em Brasília, com a presença de integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, que vai realizar uma auditoria nos editais e contratos de obras em que há suspeita de pagamento de propina no estado do Rio. Entre os empreendimentos citados pelo Ministério Público Federal (MPF) nas denúncias que detalham o suposto esquema de corrupção, estão o Maracanã, PAC das Favelas e Arco Metropolitano e a Linha 4 do metrô.
A formação do comitê foi confirmada hoje pelo ministro da Transparência, Torquato Jardim, que telefonou para Pezão. A ação do governo é uma resposta à divulgação de processos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que estavam parados no órgão, e vieram à tona ano passado, quando as primeiras informações sobre o esquema começaram a surgir. Os documentos, que apontavam superfaturamento na obra do Maracanã, foram revelados pelo GLOBO.
- Fiz questão de pedir uma inspeção especial. Fui ao ministro Torquato. Quando a comecei a ver sair relatórios do TCE com números fantasiosos, números totalmente mentirosos, eu pedi a inspeção especial para nós realizarmos um grande debate sobre todas as obras que estavam levantando suspeitas – afirmou o governador, após o depoimento.
Durante a oitiva – Pezão foi ouvido nesta tarde pelo juiz Marcelo Bretas -, o governador também citou a criação do grupo, aproveitando uma pergunta sobre o suposto pagamento de recursos ilícitos durante a execução de obras. Fora da audiência, ele se estendeu sobre o assunto.
- Começou a aparecer no TCE depois que surgiram essas denúncias. Antes nunca tinham feito observação nenhuma. Como pode uma obra de metrô que custou R$ 9 bilhões e falar que tem R$ 2,7 bilhões de superfaturamento? - indagou o governador.
De acordo com a delação do ex-presidente do TCE Jonas Lopes de Carvalho, os conselheiros do órgão recebiam repasses regulares de propina de empresas que executavam obras do estado justamente para não atrapalharem o andamento dos contratos. Pezão nega.

