BRASÍLIA - A prisão de amigos do presidente , investigadas no inquérito que apura irregularidades no decreto do presidente sobre o , deixou preocupados ministros e assessores do presidente. Alguns já davam como certa a possibilidade de ser aberta uma terceira denúncia contra Temer. A avaliação de aliados é que a bomba que caiu sobre o na manhã desta quinta-feira inviabiliza não só a candidatura de Temer - que afirmou em entrevista recente que seria "covardia" não disputar a reeleição - como o fragiliza junto ao na reta final da reforma ministerial.
A tendência, segundo aliados de Temer, é que agora os partidos da base aliada cobrem mais caro pelo apoio ao governo, mesmo sem haver ainda uma terceira denúncia contra o presidente - que se traduzirá em maior apetite por cargos e pedido de liberação de emendas em ano eleitoral. Mesmo assim, avaliam não haver qualquer garantia de que os parlamentares que dão sustentação ao governo estarão dispostos a defender Temer e o governo, já que isso tem alto potencial de prejudicá-los em ano eleitoral.
Se o governo já ficaria em segundo plano em 2018 por conta do cenário eleitoral, os novos fatos deixam a administração Temer "completamente paralisada".
— O jogo eleitoral já começa com um perdedor, que é o governo. O Temer obviamente fica fragilizado para concorrer e o governo entra em paralisia completa. Além disso, enfrentar uma terceira denúncia em ano eleitoral vai ser perigosíssimo — avaliou um dos aliados próximos ao presidente.
Outra avaliação do Planalto é que o cenário sem Temer no páreo eleitoral, o que já está praticamente consolidado, fortalece o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que vai se filiar ao PMDB no início da semana que vem e quer ser o cabeça de chapa para presidente. Apesar de sair na frente, assessores palacianos afirmam que Meirelles também ficará em situação complicada, já que terá que defender o legado do governo e, caso de fato seja o candidato apoiado pelo Planalto, não conseguirá se descolar de Michel Temer.
— Meirelles se fortalece para ser o candidato, mas ele terá que enfrentar o ônus e o bônus dessa escolha: vai defender o legado do governo, mas são os feitos do governo Temer, um presidente de quem o ministro não vai conseguir se livrar - disse um auxiliar presidencial.
De manhã, logo que vieram as primeiras notícias das prisões de amigos do presidente, ministros do núcleo duro se reuniram com Temer no Palácio do Jaburu. Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Torquato Jardim (Justiça) e Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) tentavam entender as mudanças no cenário e o quanto isso atingia o presidente. O que se viu, naquele momento, foi um Temer "silencioso" e ministros "abatidos".
— Temer estava silencioso, mais ouvindo do que falando. Ele não demonstra tanto abatimento quanto alguns dos ministros. O momento é de preocupação total — contou um dos presentes.

