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Processo que acusa Sérgio Côrtes de obstrução à Justiça está próximo de uma sentença

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RIO — Entre as investigações que hoje pesam sobre o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, a que está mais próxima do desfecho é a que trata de obstrução à Justiça. Apesar de reconhecerem que as acusações feitas pelo delator, o ex-subsecretário de Saúde de estado Cesar Romero, seguirão pesando contra Côrtes, os advogados sustentam que os depoimentos têm incoerências e inconsistências, que, na avaliação deles, precisam ser levadas em conta pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, ao proferir a sentença.

Entre elas um dado que o inquérito atesta: apesar de ter dito, em delação, que foi Côrtes a procurá-lo para uma conversa que acertaria o tom de eventuais delações, a ligação partiu do delator, como mostram dados da Divisão de Serviços Especiais da operadora de celular utilizada por Romero. Depois da ligação, os dois se encontraram.

Na conversa, eles combinam uma versão parecida para uma eventual delação. Os dois são acusados de atuar para constranger e combinar versões. O esquema de desvio de recursos em licitações, segundo o delator, aconteceu também na gestão do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), quando Côrtes esteve à frente do órgão.

Com vídeos que indicam os horários de entrada e saída do encontro, também registrados na investigação, a defesa do ex-secretário argumenta que o áudio da conversa foi editado. Ele teria suprimido, do pendrive, trechos que o incriminariam. O tempo de encontro é de 17 minutos, e o áudio, de oito minutos. A defesa sustenta ainda que, ao apresentar anexos o delator teria desrespeitado os termos do acordo.

Ao GLOBO, Romero afirmou que “não houve edição alguma” do material entregue aos procuradores. Ele também nega ter sido ele quem procurou Côrtes ao telefone.

— Não tenho conhecimento disso. Ele me ligou. Depois me enviou uma mensagem pelo WhatsApp dizendo que estava perto do meu escritório, dez minutos depois estivemos reunidos.

A operação que prendeu Côrtes, os empresários Miguel Iskin e seu sócio Gustavo Estellita Cabalcanti Pessoa revelaram desvios estimados pelo Ministério Público em R$ 300 milhões. Por ela, eles respondem também por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O processo por obstrução derivou da mesma operação.

O Ministério Público Federal atestou que o ex-secretário soube da operação pouco antes de ela ser deflagrada. Trocas de e-mails e gravações mostram o ex-secretário tentando convencer Iskin a delatar algum fato “relacionado à campanha”. Côrtes diz que eles passariam “pouco tempo na cadeia” e acrescenta que “nossas putarias têm que continuar”.

Côrtes, que tentou sem sucesso ser beneficiado por acordo de delação premiada, dá sinais de que tem ainda munição contra os integrantes de seu agora ex-grupo político. Entre eles, o governador Luiz Fernando Pezão, a quem acusou em depoimento após deixar a prisão, no começo do mês.

Segundo Côrtes, um empresário que fabrica contêineres para UPAs teria se tornado “contribuinte” de Pezão e de Sérgio Cabral. No início do depoimento, Côrtes sustentou que “contribuição” significa propina. O ex-secretário preferiu não falar sobre o assunto na entrevista.

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