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PSDB de SP manobra para evitar vitória da tese em favor de desembarque do governo Temer

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SÃO PAULO. Embora a maioria dos participantes de uma reunião na noite desta segunda- feira tenha se posicionado a favor de um desembarque do governo Michel Temer, o PSDB de São Paulo preferiu não tirar decisão oficial para não contrariar o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria. Este discursou em nome de Alckmin defendendo que partido espere o julgamento da chapa Dilma - Temer para fechar questão sobre o assunto. Não houve votação.

O encontro foi chamado porque a direção estadual queria ouvir lideranças e militantes para levar uma posição à cúpula nacional do PSDB na próxima quinta - feira em Brasília. Doria chegou no final da reunião do tucanato paulista quando o presidente do PSDB estadual, Pedro Tobias, anunciava que havia ficado claro que a maioria dos presentes reivindicou a saída imediata do partido do governo Temer.

Doria discursou em sentido contrário, pedindo paciência ao partido para qualquer tomada de decisão.

- Não vamos fugir à luta. Nada de muro. PSDB de hoje não é o do passado. Mas é preciso saber a hora certa. Amanhã teremos um julgamento. Temos que confiar na justiça senão estaremos desconfiando da democracia. Isso não é recuo. É saber guerrear - disse Doria, encerrando a reunião.

Após a fala do prefeito, Tobias recuou da decisão de que a maioria era a favor do desembarque e disse que transmitiria à direção nacional que o partido está dividido em São Paulo.

- Vou dizer que partido está dividido - afirmou em entrevista.

O gesto do dirigente causou indignação.

- Eu não entendi nada ou ele havia dito que a maioria pediu o desembarque? - questionou o deputado Coronel Telhada.

Por cerca de duas horas prefeitos, parlamentares e militantes debateram sobre o futuro da sigla.

Covardia, paciência e inoportuno foram algumas das expressões usadas por aqueles que querem a permanência no governo federal e saíram derrotados do encontro. O deputado estadual e líder do governador Geraldo Alckmin na Assembleia Legislativa, Barros Munhoz, evocou o acesso a recursos federais pelos prefeitos tucanos na gestão Temer para pedir a manutenção do apoio ao peemedebista.

-Precisamos desse suporte de recursos do governo federal, que ficamos 12 anos sem ter - alegou o parlamentar.

Do lado dos que reivindicaram o desembarque do governo ouviram-se palavras como coerência, governo desacreditado e responsabilidade com o país. Todos defenderam o apoio às reformas, se elas acontecerem, mas entregando os cargos a Temer.

- É esse o mesmo Ministério Público que apoiamos para cassar a Dilma. Não podemos mudar de opinião. Cadê a coerência? - afirmou o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando.

- Não há motivo para ficar com os cargos. Este governo está desacreditado. Responsabilidade nós podemos ter fora do governo - disse o deputado federal Carlos Sampaio.

O nome de FH como alternativa para uma eleição indireta foi colocado na reunião. Uma candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM) foi ironizada.

A possibilidade de uma expulsão do senador Aecio Neves (PSDB-MG) do partido não foi descartada.

Alckmin não compareceu à reunião, alegando compromissos no interior do estado.

O pedido de desembarque do governo vai de encontro ao que tem pregado as maiores lideranças da sigla como o ex - presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati.

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