SÃO PAULO. Embora seus pré-candidatos apareçam em situações bem diferentes, o PT e o PSDB reagiram de modo a desqualificar os resultados da pesquisa do Instituto DataFolha sobre intenção de votos para a Presidência, divulgado neste domingo pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Na sondagem, que ouviu 4.194 pessoas de em 227 municípios, entre a quarta (dia 11) e a sexta-feira (13), o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva lidera as intenções de votos, com 31%, seis pontos percentuais abaixo da pesquisa anterior, de janeiro, quando aparecia com 37% das intenções.
Já o ex-governador paulista Geraldo Alckmin oscila entre 6% e 8% das intenções de voto nos diferentes cenários testados. E em alguns dos cenários, Alckmin aparece ainda atrás do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB mas ainda não decidiu-se se será ou não candidato. Barbosa oscila entre 9% e 10% nos vário cenários apresentados aos eleitores.
A Assessoria do pré-candidato tucano Geraldo Alckmin, divulgou nota neste domingo na qual minimiza os resultados da pesquisa DataFolha. A nota diz ainda que o candidato está "otimista" com a receptividade que tem encontrado neste início de pré-campanha, e que os eleitores apenas começarão a definir o voto a partir de agosto.
"A pesquisa precisa ser vista com cautela neste quadro em que candidaturas seguras misturam-se a meras possibilidades, criando cenários e números de relevância questionável. Números, aliás, que não permitem inferir qualquer tipo de evolução, já que todos os cenários apresentados diferem dos divulgados na pesquisa anterior do mesmo instituto", diz a nota, acrescentando: "A campanha de Geraldo Alckmin está otimista com a receptividade encontrada nesse início de pré-campanha e com as alianças já encaminhadas. Pesquisas são retratos do momento. E o momento é de completa indefinição. O eleitor começará a definir o seu voto a partir de agosto".
Representantes do PT também procuraram desqualificar o resultado da pesquisa divulgada neste domingo pelo Instituto Datafolha, na qual o ex-presidente Lula aparece com 31% de intenção de votos, no cenário mais favorável entre os nove levantados. A legenda questiona, principalmente, o fato de o nome de Lula ter sido apresentado aos entrevistados somente em três dos nove cenários hipotéticos pesquisados.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que a tentativa de interditar Lula na pesquisa resulta numa eleição sem nenhuma legitimidade.
— Houve manipulação no sentido de tentar diminuir a intenção de voto em Lula. Além disso, comparar os resultados dessa pesquisa com uma de janeiro, onde boa parte dos nomes colocados agora não estavam, é de uma grande desonestidade — disse Pimenta.
Em sua conta no Twitter, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), atual presidente nacional do PT, também questiona a metodologia da pesquisa:
“Dos 9 cenários pesquisados só colocam Lula, q tem o dobro do segundo colocado, em apenas 3! Como falar em cenário mais favorável pra Lula entre os 9?!”, postou a presidente do PT.
Na última sexta-feira (13), o Diretório Nacional do PT havia ajuizado uma representação para suspender, em caráter de urgência, a pesquisa encomendada pela Folha da Manhã ao Instituto Datafolha sobre as eleições de 2018. Alegava que o questionário adotado no levantamento trazia perguntas que causavam danos à agremiação e ao seu pré-candidato.
Segundo os advogados que tentaram o impedimento, a pesquisa ignorou a pré-candidatura de Lula “e apresentou perguntas tendenciosas com potencial para induzir entrevistados e manipular os resultados da pesquisa”. O ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Og Fernandes negou o pedido.
Antes da divulgação da pesquisa, a expectativa da cúpula do PT era de que a comoção em torno da prisão de Lula o faria crescer nas intenções de voto. Mas o resultado foi desfavorável ao ex-presidente.
Lula perdeu seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior do Datafolha, divulgado em janeiro, quando tinha 37% das preferências. As pesquisas, entretanto, não podem ser diretamente comparadas, uma vez que não apresentam os mesmos cenários e nomes de pré-candidatos.
Apesar de desqualificarem a pesquisa, os correligionários comemoram a liderança de Lula em todos os cenários em que foi apresentado.
“Nos cenários de segundo turno, onde está, é Lula disparado!”, escreveu Gleise em sua conta do Twitter, junto com foto do ex-presidente ao lado do cantor Chico Buarque.

