Início Brasil Relator da CPI vê ‘ilegalidade’ na prisão de ex-advogado da JBS que presta depoimento secreto
Brasil

Relator da CPI vê ‘ilegalidade’ na prisão de ex-advogado da JBS que presta depoimento secreto

Envie
Envie

BRASÍLIA - Relator da CPI da JBS, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse ver "ilegalidade" na prisão do advogado Willer Tomaz, que atuou para o grupo da JBS e presta depoimento em sessão secreta na comissão. Willer foi preso após a delação dos executivos da empresa suspeito de envolvimento na acusação de corrupção do procurador Ângelo Goulart Villela.

— Partimos agora para a prisão de arquivo. Coloca na cadeia um advogado por 76 dias e não se dignaram nem a ouvi-lo. Você vai nos autos e depoimentos e não encontra nada que justifique efetivamente uma análise de culpa efetiva. Foi uma ilegalidade — disse Marun.

De acordo com o relator, Willer se emocionou durante sua exposição aos parlamentares. Segundo o deputado, o interesse do procurador Villela era "funcional" ao ter lhe repassado um áudio em que um ex-sócio de Joesley negociava colaboração com outro procurador. De acordo com a acusação, Willer repassaria uma mesada de R$ 50 mil a Villela para que ele auxiliasse a JBS.

— O procurador Ângelo tinha um interesse em atuar na delação do Joesley e Wesley nesse contexto. Tinha interesse funcional. Não existe prova de repasse — afirmou o relator.

O relator da comissão afirmou que o depoimento confirmaria sua tese de que havia um complô para derrubar o presidente Michel Temer por meio da delação, além de impedir a nomeação de Raquel Dodge para a PGR.

— Isso sinaliza a existência de um complô que envolveu pessoas, empresas e instituições que tinha como objetivo derrubar o presidente Temer — afirmou Marun.

Outros parlamentares contaram que Willer disse ter sido usado, junto com Ângelo, pelo procurador-geral Rodrigo Janot para valorizar a delação dos irmãos Batista. Ele apresentou aos deputados uma mensagem que lhe foi enviada por Ângelo na qual este diz que encaminhava a gravação do ex-sócio para que Joesley esteja informado que o Ministério Público teria perdido interesse na delação dele. Citou ainda comunicações que mostrariam um assessor do Janot cobrando dos delatores o envolvimento de um juiz ou promotor entre os acusados.

Willer teria ainda ironizado Janot comparando o encontro que teve com Ângelo ao que Janot teve com o advogado Pierpaolo Bottini, da JBS, em uma distribuidora de bebidas em Brasília. O advogado disse que se seu encontro foi considerado criminoso, o do ex-procurador-geral também poderia ser enquadrado da mesma forma.

Siga-nos no

Google News