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Richa diz que delação sobre propina em suas campanhas é ‘invenção’

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CURITIBA (PR) - Em resposta às denúncias de que suas duas últimas campanhas receberam dinheiro de um esquema de corrupção, o governador Beto Richa (PSDB), desclassificou as acusações, na manhã desta segunda-feira, e afirmou que não passam de “historinha” inventada pelo empresário e dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, para se livrar da prisão. Souza assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), em que denuncia o desvio de R$ 17 milhões do governo do Paraná em ações ligadas à Secretaria de Educação. Parte do dinheiro, segundo o delator, pagou as campanhas de Richa em 2010 e 2014.

— É mentira. Todas as acusações que me fazem são absolutamente falsas. Tomamos todas as providências para que fosse elucidado esse crime (de desvio de dinheiro nas escolas). Esse criminoso que me acusa, de maneira falsa, leviana e irresponsável, ele inventou uma historinha, uma narrativa, envolvendo políticos do estado e o governador, para conseguir a liberdade. Nesse primeiro momento, ele se deu bem, mas sem apresentar provas, ele volta para a cadeia — defende-se Richa.

O delator informou aos investigadores que parte da propina foi entregue em dinheiro vivo no banheiro e em garrafas de vinho ao diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, que se apresentava como amigo do governador. Fanini e Richa tiveram fotos de uma viagem internacional vazadas.

— Isso já foi provado que é uma mentira. Aprenderam no celular, ou notebook, do Fanini, fotos minha com ele, em uma viagem ao exterior. Que, por sinal, também, não foi viagem eu, minha esposa; ele, a esposa dele. Foram mais de 20 pessoas nessa viagem, organizada por alguns amigos. Eu não convidei ninguém. Fui amigo dele, sim, não vou negar. Nunca mais falei com ele. Inclusive ele foi exonerado do meu governo.

O governador disse que vai entrar com um processo criminal contra Souza. Funcionários do governo do estado foram demitidos, alguns foram presos e outros tiveram bens bloqueados quando começaram as investigações da Operação Quadro Negro, que investigou os desvios na Educação do Paraná.

Mais recentemente, a negociação de um cargo no governo, que envolve ministro da Saúde, Ricardo Barros, e a vice-governadora do Paraná e esposa do ministro, Cida Borghetti, tornou a crise no Palácio Iguaçu mais delicada. Sobre ter assinado inúmeros aditivos à Valor simultaneamente, o governador perguntou se os repórteres queriam que ele usasse uma trena.

— Me desculpe. Com todo respeito que lhe devo, não precisa-se de mais do que dois neurônios pra entender que eu assino todos os dias um monte de aditivos de obras, seja de prazo, seja de valor. Eu sou a décima segunda pessoa a assinar os aditivos. Passa pelos fiscais dos órgãos responsáveis pelas obras, passa pelo engenheiro, passa pelo diretor, passa pelo superintendente, passa pelo secretário do órgão — disse Richa. — A menos que você esteja sugerindo que eu coloque uma trena debaixo do braço e vá medir as milhares de obras no estado do Paraná.

Richa voltou, na última sexta-feira, de uma viagem a Nova Iorque, onde foi comemorar a venda de ações da companhia de energia elétrica do estado na bolsa de valores. Ao chegar, encontrou repercussão nacional da Operação Quadro Negro. A operação ganhou esse nome porque o dinheiro desviado seria usado para construção de escolas no Paraná. As obras não chegaram a sair do solo – nos terrenos, são alguns tijolos e muito mato.

O acordo de delação de Souza foi feito junto à Procuradoria Geral da República (PGR) e espera homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Aos procuradores, Souza disse de um esquema organizado pelo o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB) e o presidente do Tribunal de Contas, Durval Amaral, para abastecer com R$ 12 milhões a campanha eleitoral de Richa. O governo confirma R$ 32 milhões em contratos suspeitos e o Ministério Público calcula R$ 20 milhões roubados.

Rossoni, uma figura política sempre presente nas coletivas e aparições de Richa, não foi à coletiva nesta segunda-feira. O deputado estadual líder do governo na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli, disse, até a hora do almoço, que não tinha falado com o presidente Traiano. Na tarde de hoje, será votado, justamente na Assembleia, um pacote de ajuste fiscal proposto por Richa e que tem a ver com a contratação de bombeiros e policiais em regime especial, dentre outras polêmicas com servidores públicos. O governador considera que a acusam de abastecimento de caixa dois é o jeito de Souza dar destino a um dinheiro que estaria escondendo.

— Foram desviados cerca de R$ 20 milhões de reais. Mas as indenizações que o governo pede passam de R$ 40 milhões. A imprensa omitiu que as primeiras medidas foram tomadas pelo meu governo. Eu tenho sofrido vários ataques, ao longo do meu governo. Fazemos bem a nossa parte. Hoje, setores da imprensa se recusam a reconhecer o avanço nos governos do Paraná — entende Richa.

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