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Senadores governistas vão tentar enquadrar Renan em reunião da bancada

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BRASÍLIA - A retaliação contra a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), nomeada para presidir a poderosa Comissão Mista de Orçamento (CMO), e desnomeada no dia seguinte em função da disputa com seu adversário político, deputado Arthur Lira (PP-AL) pela indicação da relatoria da comissão, será um combustível a mais para um crescente movimento pelo enquadramento do rebelado senador Renan Calheiros (PMDB-AL) como líder da bancada na reunião com o presidente do partido, Romero Jucá (RR) e os 22 senadores marcada para essa terça-feira. Em contrapartida, o presidente Michel Temer tem se reunido separadamente, sem Renan, com grupos de senadores do PMDB para esvaziar a oposição feita pelo líder contra a reforma da previdência.

Pela contagem de senadores governistas do PMDB, Renan só conta com o apoio fechado dos senadores Hélio José (DF), Kátia Abreu (TO) e Roberto Requião (PR). Os aliados Edison Lobão (MA), João Alberto (MA), Eduardo Braga (AM), Marta Suplicy (SP) e Jader Barbalho, são citados como aliados nas críticas a reforma da Previdência, mas dificilmente votariam contra o governo.

— Tem cada vez mais gente reclamando que o Renan está agredindo demais o governo. E isso deve ser colocado na reunião da bancada amanhã. Ele não pode confundir a liderança com problemas pessoais — disse um dos senadores do PMDB.

Nas reuniões com pequenos grupos de senadores peemedebistas, semana passada, Temer comentou que não baterá de frente com Renan, e a estratégia é assumir a articulação, e deixar ele falando sozinho. Temer contou também que conversou com Rose de Freitas por telefone e ela estava muito chateada com a anulação da indicação para a presidência da CMO, reclamou que fora desmoralizada por Renan. Rose disse que ligou para Temer para remarcar para essa semana o convite para um jantar no Jaburu, que não pôde ir semana passada.

— Desde que mandou o ofício anulando a indicação para a Comissão de Orçamento, o Renan não falou comigo nem me deu nenhuma explicação. Eu procurei me distanciar disso. Eu já tinha dito que não queria mais participar de comissão nenhuma. Aceitei ir para a CMO e o Renan agora ficou nesse vai e vem — disse Rose de Freitas.

Pelo rodízio e proporcionalidade das bancadas, esse ano cabe ao PMDB do Senado indicar o presidente da Comissão e a bancada está apoiando o nome de Rose. Mas Renan está preocupado é com a relatoria, mais importante que a presidência, e que é reivindicada pelo PP da Câmara e que seu adversário local, Arthur Lira , já indicou o novato deputado Kaká Leão (PP-BA).

Lira diz que tem direito porque seu partido formou um bloco com três outros partidos, ultrapassando o PSDB, que tem sozinho a segunda maior bancada e também se acha no direito de indicar o relator. Se Renan não fizer as indicações até amanhã, a sessão na CMO será presidida pelo senador José Carlos Valadares (PSB-SE), por ser o mais velho, e ele pode colocar a escolha do presidente por votação na comissão. O prazo para as indicações venceu no último dia 28.

O PSDB, que está no páreo pela relatoria, indicou os deputados Célio Silveira (GO), Marcus Pestana (MG) e Carlos Sampaio (SP). Os dois últimos pleiteiam a relatoria. Tucanos e aliados de Renan alegam que Kaká Leão, indicado por Arthur Lira, não tem condições de ser o relator da peça mais importante para o governo, para definir as diretrizes econômicas e sociais para o ano que vem, num ano de crise.

— O relator tem que ser alguém com a responsabilidade que o momento político exige, é quem vai comandar a definição de metas econômicas, investimentos em infraestrutura, ajudar a economia. É um relatório muito importante para o País. Nós somos a segunda maior bancada. Tanto o Sampaio quanto o Pestana podem ser, tem experiência. O presidente Rodrigo Maia encomendou um parecer jurídico e na reunião do colégio de líderes vai ter que arbitrar uma solução para ver quem tem direito, se a maior bancada ou o bloco — disse o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

— O PMDB e o PSDB estão obstruindo o funcionamento da Comissão do Orçamento. Se o Renan não resolver até amanhã, a terceira maior bancada do Senado escolhe o presidente. O pano de fundo é outro. Renan está se escondendo atrás de Alagoas, mas na verdade que é a liberação de mais de R$1 bilhão para o governo do seu filho, ministérios. O relator não decide nada sozinho, tem 14 sub-relatorias setoriais, comitês de avaliação de emendas, de obras. As medidas provisórias e os créditos suplementares precisam ser analisados e está tudo parado por causa de um capricho do Renan — reclamou o líder Artur Lira.

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