BRASÍLIA — No lançamento de sua candidatura à presidência do PSDB, realizada na manhã desta quarta-feira no Senado, o senador Tasso Jereissati (CE) fez um discurso forte, para fora do partido e com o mote de reconectar com os “ruídos das ruas”. No discurso, Tasso anunciou que na convenção de dezembro irá apresentar o esboço de um programa que será a base do programa do candidato do partido em 2018, elaborado por um conjunto de economistas, entre eles Edmar Bacha, Pérsio Arida e Elena Landau. Na sua plataforma, anunciou também a reformulação do código de ética para instituir o sistema de “compliance” partidário para entregar a uma empresa externa a fiscalização do partido em termos de uso de recursos públicos e do cumprimento de programa e de regras eleitorais.
Estiveram no ato 14 dos 47 deputados e seis dos 12 senadores, além de Tasso. O líder, Paulo Bauer (SC) chegou no meio do ato. Entusiasmado com o discurso e com o lançamento, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB) lançou o grito que pode incendiar agora o entorno do governador Geraldo Alckmin:
— Tasso para presidente! Hoje foi o primeiro passo. Pode melindrar Alckmin? A hora de ter coragem de mudar — disse Cássio.
Antes do ato de lançamento, Tasso rejeitou a tese de revezar a presidência do partido com o outro candidato tucano, o governador de Goiás, Marconi Perillo, mas admitiu discutir com ele a possibilidade de encurtar o mandato de dois anos. Mas quer ser eleito para dar continuidade, como disse, ao processo de renovação do PSDB.
— Estou colocando meu nome não é para rachar, é para unir. Mas não adianta unir aqui e ficar distante do povo. Temos que ficar conectados com a população, que é tudo que um partido político precisa — disse Tasso no discurso de lançamento.
Ele lembrou a onda de escândalos de corrupção dos últimos três anos, disse que o PSDB foi o menos atingido e bateu forte no PMDB e no PT. Disse que o PSDB saiu das costelas do PMDB por não concordar com as práticas daquela época e que agora é preciso voltar ao ideário da criação do partido, sem se acomodar e rompendo com as políticas de compadrio, conluio e fisiologismo.
E avaliou que o racha entre os que defendem seu nome e o de Marconi, não é racha, é sinal de vida para o partido.
— Esse grupo que está aqui é para mostrar que é possível fazer política com alta decência, ética e moralidade. Essa disputa mostra que o partido não está morto, roncando no sofá e surdo aos ruídos das ruas — discursou Tasso.
Sobre a pressão do PMDB e do Centrão pela demissão dos ministros tucanos, Tasso disse que é disso que o PSDB precisa se afastar.
— Isso é um jogo de fisiologismo do qual não participamos. O jogo do “eu só voto se ganhar aquilo, se tiver isso”. É disso que queremos nos afastar — garantiu.
Mas ele lembrou que o PSDB também foi alvo dos escândalos de corrupção, mesmo que em menor escala.
— Nos últimos três anos escândalos de corrupção atingiram empresas e políticos. O nosso, com certeza, foi o que menos sofreu. O nosso partido é o que tem os melhores quadros no Brasil, porque fazem política com ética, moralidade e competência — discursou Tasso.
Ele bateu duro também no PT , que segundo ele está “fingindo” que não está vendo o que acontece no seu entorno, com tantos políticos presos.
— O PT está acomodado em seus erros, fingindo que não viu ou dizendo que não errou. Isso é grave. Dezenas de políticos presos e fingindo que não viu ou dizendo que não errou e vai fazer tudo de novo — criticou Tasso.
Em seu discurso, o senador Cássio Cunha Lima disse que a candidatura de Tasso representa o sentimento majoritário, no PSDB, de mudança na política. E elogiou a coragem do presidente interino por ter produzido o programa de propaganda partidária que elencou os erros do PSDB e criticou o “presidencialismo de cooptação” que irritou o governo e os ministros tucanos em julho.
— O PSDB foi o único partido que teve a decência de pedir desculpas ao povo brasileiro. Tasso é o cabeça mais preta que tem no PSDB, por sua visão moderna da política. Lança um conjunto de propostas que recoloca o PSDB na vanguarda da transformação que o Brasil precisa. Lança um movimento de transformação que vai chegar a sociedade, um movimento de política nacional — discursou Cássio, entusiasta declarado do nome de Tasso para disputar a presidência em 2018.
— Você me representa — disse a deputada Mara Gabrilli (SP) em seu discurso.

