BRASÍLIA — O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, nesta quarta-feira, uma sindicância que investigava um suposto tráfico de influência praticado pelo advogado Tiago Cedraz, que envolveria o seu pai, o ministro Aroldo Cedraz, e o presidente do tribunal, Raimundo Carreiro. O relator do caso, José Múcio Monteiro, defendeu o arquivamento, e foi acompanhado pelos outros ministros.
Carreiro, Aroldo e Tiago são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de favorecimento a empreiteiras em processo no TCU relacionado a obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). O pontapé do inquérito foi a delação de Ricardo Pessoa, dono da UTC, empresa que integrou consórcio contratado para obras de R$ 1,75 bilhão em Angra 3. Tiago é suspeito de ter recebido R$ 50 mil mensais para obter informações privilegiadas do órgão, durante os anos em que o tribunal foi presidido pelo pai. Além disso, ele teria solicitado um repasse único de R$ 1 milhão, em espécie, dinheiro que seria destinado a Carreiro, relator do processo sobre as obras.
De acordo com o acórdão da sessão desta quarta do TCU, a decisão foi tomada “diante da ausência de provas e de confirmação dos supostos atos irregulares que motivaram sua instauração, conforme as conclusões da comissão de sindicância”. O documento ressalta, no entanto, que a investigação pode ser retomada “na eventualidade de virem a conhecimento fatos novos revelados por outras instâncias apuratória”.
Cópias do acórdão serão enviadas para a Polícia Federa, para a Procuradoria-Geral da República e para o Supremo Tribunal Federal. A decisão do TCU não afeta diretamente o inquérito do Supremo. No entanto, Tiago Cedraz já utilizou relatórios internos do TCU em sua defesa.

