BRASÍLIA - O presidente Michel Temer cogita gravar mais um vídeo para se defender da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A avaliação da equipe do presidente é de que falas mais frequentes ajudam Temer a ganhar fôlego, sobretudo pelo tom mais crítico que vem adotando contra o procurador.
A ideia é que o vídeo seja publicado nas redes sociais, como ocorreu na semana passada, evitando assim possíveis panelaços e manifestações contrárias a Temer, como as que já ocorreram em pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV. Se de fato decidir fazer nova fala, ela deverá ser gravada até quinta-feira, quando viaja para a Alemanha e participa da cúpula do G20.
Desde que foi revelado o teor da delação de Joesley Batista, dono da JBS, Temer já fez três falas no Palácio do Planalto, e na última subiu o tom contra Janot, atacando-o direta e abertamente. Um dia após ser denunciado por corrupção passiva, o presidente disse, em pronunciamento, que a denúncia é uma "ficção" e insinuou que Janot teria recebido dinheiro de um ex-procurador próximo a ele, Marcelo Miller, que atuou no acordo de leniência da JBS. Ele afirmou que Miller, já na iniciativa privada, ganhou milhões e insinuou que o dinheiro pode não ter ido unicamente para o ex-procurador, mas também a Rodrigo Janot.
No último vídeo divulgado pelo presidente, na sexta-feira, ele afirmou que o Brasil está andando, apesar de críticos a seu governo quererem "parar nosso país". "Não conseguirão", sentenciou.
A estratégia de ampliar a sua defesa vai na linha da ideia de que "a melhor defesa é o ataque". Segundo assessores do presidente, é preciso que Temer rebata, de forma enérgica, a denúncia de Rodrigo Janot, o que tem, segundo esses assessores, um bom efeito multiplicador pela imprensa. Integrantes do governo admitem, no entanto, que suas falas são mais voltadas para jornalistas e políticos do que para a população.
— Ele não é exatamente um bom orador, mas as falas têm tido bom efeito multiplicador pela imprensa. Ele precisa se defender frequentemente — afirmou um assessor do Planalto.

