BRASÍLIA — No dia em que o deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) sobre a segunda do Ministério Público contra o presidente , os líderes do governo na Casa e no Congresso, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e André Moura (PSC-SE), inauguraram a agenda de reuniões no Palácio do Planalto. Também fazem parte da denúncia os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretário Geral da Presidência).
Na segunda-feira, interlocutores do presidente afirmaram que Temer está tranquilo com a análise da denúncia por obstrução à Justiça e organização criminosa. A expectativa é que a leitura do relatório de Andrada comece às 15h no colegiado. O relator deve argumentar em seu parecer que o instituto da organização criminosa é uma figura nova neste tipo de acusação. Depois de enfrentar a ira do PSDB e permanecer como relator numa vaga cedida pelo PSC, Bonifácio disse que passou o final de semana elaborando o parecer para tentar terminar a tempo da sessão.
Para ser aprovado, independente do que for defendido, o relatório proposto por Bonifácio Andrada precisa do apoio da maioria simples dos membros do colegiado. Dos 66 titulares, ao menos 34 precisam acompanhar o voto do relator para que o processo seja definido. Em qualquer um dos resultados, o texto segue para apreciação do plenário. O mais provável é que membros do colegiado peçam vista para avaliar o teor do parecer. Assim, a votação do relatório deve acontecer apenas na próxima terça-feira.
No plenário, o cenário muda. Para que a sessão de votação seja aberta, é necessária a presença de ao menos 342 deputados dos 513 que detém mandato na Casa. A partir daí, se o parecer do relator for pelo arquivamento, ao menos 342 parlamentares precisam votar contra o relatório para que a investigação prossiga.
Ainda de acordo com assessores do Planalto, a expectativa em relação ao parecer que será apresentado por Bonifácio Andrada é que o texto seja "mais técnico" que o produzido por Sérgio Zveiter (PODE-RJ). Durante a análise da primeira denúncia contra Temer, Zveiter foi escolhido relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Na ocasião, o relatório elaborado pelo parlamentar acusava "indícios suficientes de autoria e materialidade" para o recebimento da denúncia. Entretanto, a equipe de Michel Temer avalia que o parecer de Zveiter "era mais político que jurídico".

