SÃO PAULO. O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção São Paulo apura a atuação da advogada Esther Flesch nas negociações com o grupo J&F e na contratação do ex-procurador Marcello Miller pelo escritório Trench, Rossi Watanabe. A advogada era a responsável pela área de compliance da banca de advogados e Miller é investigado, suspeito de ter atuado nas negociações da J&F ainda quando ocupava o cargo de procurador da República.
Miller teve sua carteira suspensa por 90 dias pela OAB-RJ, por medida cautelar. Em nota, seus advogados disseram que a medida foi irregular, porque ele não teria sido notificado do processo de suspensão e também não havia sido ouvido.
Na semana passada, o Trench, Rossi Watanabe entrou em contato com a OAB-SP e se colocou à disposição. Nesta terça-feira, recebeu pedido de informações sobre o episódio. Documentos foram entregues também à Procuradoria Geral da República.
Esther Flesch deixou o escritório no início deste mês, mas estava afastada desde julho passado.
Os processos dos tribunais de ética da OAB são sigilosos. Depois de intimado, o advogado tem prazo de 15 dias para apresentar suas explicações iniciais. Em geral, as apurações demoram entre seis meses e um ano. As penas vão de advertência à expulsão, passando por censura e suspensão, que varia de 30 dias a 12 meses.

