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Votação de denúncia contra Temer pode ir além do dia 2

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BRASÍLIA - Apesar da proximidade da data decisiva sobre a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, nesses últimos dias de recesso ficou claro que nem governo, nem oposição têm total segurança se a votação será concluída. De um lado, a oposição não quer dar quórum para o que se anuncia como uma derrota certa. Do outro, o governo teme que o número de parlamentares o apoiando deixe claro sua fragilidade para prosseguir com a agenda de reformas. Por isso, ambos os lados ainda analisam as melhores estratégias para o dia e podem só bater o martelo sobre as ações a serem tomadas na própria quarta-feira. O início da sessão está marcado para quarta-feira, dia 2 de agosto, às 9h.

A oposição pretende definir apenas no dia da votação se irá comparecer ou não. O governo também observa se será capaz de se livrar da denúncia contra Temer na próxima semana, ou se será preciso mais tempo para alinhar a base e dar uma demonstração de força que lhe permita sobreviver sem grandes sequelas. Não está descartada a possibilidade de governistas somente darem quórum após verificarem que haverá uma margem segura para a votação. Apesar da indefinição, integrantes do governo garantem que, resolvida a questão do quórum, Temer vencerá a batalha com facilidade, por mais de 250 votos.

- O governo está seguro, tem mais de 250 votos, então dificilmente haverá surpresas nesse campo. Cabe agora à oposição querer votar. A bancada do governo está pronta desde antes do recesso - afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho, um dos que devem voltar à Câmara para votar a denúncia.

Mesmo confiante de que a oposição não reunirá os 342 votos para levar adiante a denúncia, o governo teme que o quórum fique abaixo do previsto para concluir a votação, ou que a margem de votos favoráveis ao governo seja baixa. Ambas as hipóteses poderiam ser vistas como derrotas para o Palácio do Planalto, ainda que Temer consiga enterrar esta primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Por enquanto, o Palácio do Planalto continua com a mobilização em torno dos deputados indecisos, com liberação de emendas e promessas de cargos, além da exoneração dos 12 ministros com mandatos de deputados para que reforcem o quórum na votação. Na última reunião ministerial, como O GLOBO antecipou, ficou definido que esses ministros retomarão seus mandatos por um dia para ajudar na sessão.

O governo articula, também, uma manobra para deixar os deputados mais à vontade no dia da votação. Integrantes do PMDB discutem a apresentação de uma questão de ordem para que os deputados sejam dispensados de votar no microfone, registrando suas escolhas apenas no painel eletrônico. A alegação é que o rito que prevê a fala no microfone resultou de uma interpretação do então presidente da Câmara, o agora deputado cassado Eduardo Cunha, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Portanto, isto poderia ser mudado a partir de uma provocação de deputados.

Assim, com menos exposição, o governo pretende angariar votos de parlamentares mais suscetíveis à opinião pública, especialmente em um cenário em que Temer aparece com apenas 5% de aprovação popular. A esperança é que, sem precisar "mostrar a cara", deputados relutantes votem a favor do presidente.

- Estamos analisando como fazer, mas é possível que apresentemos uma questão de ordem para desobrigar os deputados de terem que falar no microfone na hora do voto. A sessão será televisionada e isto pode constranger muitos que desejam ser fiéis ao governo, mas têm medo da reação de suas bases - explica um ministro do PMDB.

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a página será virada na quarta-feira. A expectativa de Maia é que o quórum será de, aproximadamente, 400 deputados. Aliados do governo destacam que, após ensaiar uma postura mais independente em relação ao governo, logo que o PSDB o apontou como alternativa viável para lidar com a crise na sucessão de Temer, Maia voltou a atuar mais afinado com o Palácio do Planalto.

Segundo Maia, não houve, até o momento, qualquer pedido por parte do Planalto para que a votação seja adiada. Ele acredita que quanto antes o assunto for encerrado melhor para o governo, que terá a sangria estancada e poderá retomar a pauta de reformas.

- Vai ter quórum dia 2. Aqueles cerca de 80 deputados que devem votar contra o governo, mas que não são da oposição, não irão obstruir. Vão ser apenas uns 100 deputados obstruindo. O governo não quer deixar para setembro - afirmou Maia.

O líder do PMDB, Baleia Rossi (SP), demonstra otimismo. Ele acredita que seu partido estará alinhado na votação, depois de fechar questão contra a denúncia.

- Acho que encerramos essa votação dia 2, porque é muito difícil o deputado ter qualquer tipo de justificativa plausível para não estar presente nessa sessão, tamanha a importância que ela tem. Mesmo quem queira votar a favor da denúncia, é difícil ter uma justificativa razoável. Eles vão comparecer, marcar posição política - afirma. A ausência deles prejudica o país, a economia, a estabilidade política, não o presidente Temer - defende Baleia.

O deputado conta que está marcada para amanhã uma reunião com os líderes da base, com a qual o governo pretende fazer um ato simbólico de demonstração de força. Para o Planalto, não basta vencer no dia 2, é preciso ter uma margem ampla de votos que mostre capacidade de governar após a derrota da denúncia.

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