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Wesley Batista reclama na CPI da JBS que delatores estão presos e acusados de corrupção soltos

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BRASÍLIA - O empresário , um dos donos da , afirmou em depoimento à que o país passa por um retrocesso no combate à corrupção. Segundo ele, investigados que delataram casos de corrupção estão sendo presos e os acusados de desvio de dinheiro público estão soltos. Para ele, as festejadas delações de outros momentos se tornaram um ato de alto risco para quem decide colaborar com a justiça.

— Estamos vivendo um imenso retrocesso do que eu esperava ser. Colaboradores estão sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram. As delações fizeram o Brasil olhar no espelho. O resultado é esse : delatores presos e delatados soltos — disse Batista.

A partir da delação de Welsey e do irmão Joesley Batista o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou o presidente Michel Temer por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça. Também pediu e obteve do Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Mas a base aliada de Temer na Câmara bloqueou a denúncia. As investigações contra Temer só podem ser retomadas depois que ele deixar à presidência da República.

As restrições impostas pelos STF ao senador Aécio Neves tiveram vida curta. Numa reação à ordem judicial, o plenário do Senado derrubou a decisão do STF e devolveu o mandato ao senador. Wesley Batista chegou à CPI às 10h03. Logo após receber autorização para falar, fez um breve discurso contra as medidas adotadas contra ele e o irmão, Joesley, depois que os dois decidiram buscar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, no início deste ano. Os dois estão presos acusados de descumprir acordo de delação e usar informações privilegiadas do acordo para fazer operações na Bolsa de Valores.

— Não tínhamos ideia de quanto isso afetaria nossas vidas, nossa família, nossos filhos. Se tornar colaborar não é fácil. É uma decisão solitária, da medo e causa muita apreensão — afirmou.

O empresário afirmou, no entanto, que não se arrepende de ter optado pela colaboração. Ele diz acreditar que os erros que estariam sendo cometidos contra ele serão corrigidos pela Justiça. Wesley também disse que não descumpriu o acordo de delação e que está preso por um crime que não cometeu. Para ele, mesmo com todos os problemas, o acordo foi o que mais produzidos resultados desde o início da Operação Lava-Jato.

— Foi o mais eficaz que já se viu até agora no país — afirmou.

Depois da fala inicial, o empresário disse que se reservaria o direito de permanecer calado. Ele alega que se responder perguntas dos parlamentares poderia prejudicar o acordo que fez com o Ministério Público Federal.

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