Há 38 anos, a Cidade do Vaticano foi palco de um caso misterioso que nunca foi solucionado e sobre o qual não há pistas até os dias de hoje.
A adolescente Emanuela Orlandi, então com 15 anos, filha de funcionário da prefeitura do Vaticano, Ercole Orlandi, desapareceu no dia 22 de julho daquele ano.
O caso tornou-se um dos mais emblemáticos da história italiana por envolver não só o Estado do Vaticano, mas o Estado Italiano, o Instituto para as Obras de Religião (IOR), a Banda della Magliana, o Banco Ambrosiano e os serviços secretos de vários países. E nunca foi esclarecido e não há qualquer vestígio de onde possa estar o corpo da menina que hoje seria uma mulher.
Uma denúncia feita em junho de 2008 por Sabrina Minardi, testemunha no julgamento contra a Banda della Magliana e ex-namorada do líder da gangue, Enrico De Perdis, afirmou que a garota teria sido sequestrada, morta e jogada em um misturador de cimento pela organização criminosa de De Perdis.
Depois de receber uma denúncia anônima de que um túmulo no Vaticano continha pistas do paradeiro de Emanuela, em 14 de maio de 2012, a polícia italiana exumou o corpo do gangster De Pedis, que estava realmente enterrado na Basílica de Santo Apolinário, juntamente com papas e cardeais, mas o corpo de Emanuela não foi encontrado.
Fontes do Vaticano explicaram que o cardeal Ugo Poletti, em “face a um montante tão conspícuo, deu sua benção” para o sepultamento do criminoso na Basílica.
Em maio de 2012, o padre Gabriel Amorth revelou que Emanuela foi raptada por um membro da polícia do Vaticano para orgias sexuais, e então assassinada. E houve ainda uma versão dizendo que o sequestro foi feito por terroristas extremistas muçulmanos para exigir a libertação de Mehmet Ali Agca da prisão após ter atirado contra o Papa João Paulo II.
TÚMULOS VAZIOS
Em mais uma pista falta, em 11 de julho de 2019, os túmulos de duas princesas mortas no século XIX no Campo Santo Teutônico, no Vaticano, foram abertos na esperança de encontrar os restos de Emanuela Orlandi. Mas os túmulos de Carlota Frederica de Mecklemburgo-Schwerin e Sophie von Hohenlohe estavam completamente vazios.
Naquele mesmo ano, a localização de ossadas num ossuário do Colégio Teutônico reacendeu as esperanças de encontrar os restos mortais de Emanuela. Mas os especialistas acreditam tratar-se dos esqueletos das princesas que podem ter sido transferidos para aquele local, pois são muito antigos para serem de Emanuela.
No ano de 2019, o juiz único do Estado da Cidade do Vaticano, acolhendo o pedido da Promotoria de Justiça, arquivou o caso sobre os restos mortais, o que mantém indefinida uma solução para o caso do desaparecimento de Emanuela.

