RIO - O dólar comercial subiu pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, avançando 0,66% frente ao real, cotado a R$ 3,173 para venda. Assim como na véspera, o câmbio local seguiu o comportamento da divisa americana em escala global, que avançou com a expectativa sobre o plano que o governo dos Estados Unidos apresentou hoje para reduzir o imposto corporativo de 35% para 15%. Espera-se que o plano estimule a economia do país, sugerindo que uma elevação de juros mais intensa será necessária — o que tende a puxar o dólar para cima. Mas a valorização perdeu fôlego ao longo do dia — chegou a saltar 1,81%, batendo R$ 3,209, maior valor durante uma sessão desde 9 de março — porque os investidores constataram que poucos detalhes ficaram claros quando o plano de Trump foi finalmente revelado, à tarde. Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa teve dia volátil e acabou recuando 0,43%, aos 64.861 pontos, primeira queda e três pregões.
— A redução dos impostos pelo governo Trump está, de fato, favorecendo a moeda dos EUA em escala global. Aqui, tem questões domésticas influenciando. O mercado está bastante receoso com relação à greve geral que está prevista para sexta-feira, que parece estar ganhando corpo. Outra coisa é a expectativa com relação ao placar da votação da reforma trabalhista. Os investidores acreditam que ela passará, mas será importante saber a quantidade de votos —disse Paulo Petrassi, da Leme Investimentos.
Há também uma influência que se explica pela estratégia dos investidores, observou ele:
— Está havendo um movimento de procura por dólar como forma de hedge (proteção) de outros ativos, sobretudo os juros. Isso porque entende-se que, se o cenário externo ficar tranquilo, o BC terá espaço para cortar mais a taxa Selic, o que traria valorização para muitos ativos. Caso o cenário fique estressado, isso pode não ocorrer, mas aí o dólar subirá e compensará os investidores que apostaram nele.
Fernando Oliveira, diretor de câmbio da Abrão Filho Câmbio e Capitais Internacionais, lembrou também que a instabilidade política em Brasília teve forte influência na sessão desta quarta:
“O mercado se mostra um pouco mais “nervoso”, principalmente devido à incerteza sobre aprovação da reforma da Previdência, ou com a qualidade desta aprovação, ainda mais com a derrota do Governo no Congresso hoje, referente ao socorro aos estados endividados. Esta incerteza na parte política, ou seja, se o governo terá capacidade de aprovar uma reforma da previdência que realmente mude a trajetória do rombo fiscal e por consequência da trajetória da dívida brasileira”, explicou em nota.
Na agenda doméstica, o principal evento no radar era a . O substitutivo do relator Rogério Marinho (PSDB-RN) foi aprovado, ontem, na comissão especial que analisou o tema na Casa, por 27 votos favoráveis e dez contrários. A expectativa é que a tramitação da matéria pelos deputados seja concluída ainda esta semana, seguindo para o Senado.
— Além da questão externa, sobre a tributação nos EUA, que foi muito importante no pregão, a Bolsa "corrige" (cai, após sequência de altas) em um contexto de verdadeira confusão política. O governo Temer está pendurado nessas reformas, nas quais já cedeu muito. A verdade é que ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias, meses nem em 2018, o que gera muita incerteza afirmou Alexandre Espírito Santo, da Órama.
No Ibovespa, as principais influências negativas foram os papéis de Vale, que registrou queda de 2,19% (ON) E 1,98% (PNA), e a Petrobras, que recuou 1,77% (ON) e 2,37% (PNA).

