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Após Fed, dólar perde força e Ibovespa sobe mais de 2%

SÃO PAULO — O dólar comercial começou a perder força no início da manhã, após declarações do presidente do Federal Reserve (Fec, o bc americano), Jerome Powell. A moeda, que iniciou o dia em alta, mas perde força e agora opera com recuo de 0,18%, cotada a R$ 3,857 - no início dos negócios, chegou a ser negociado a R$ 3,88. Já o Ibovespa, principal índice de ações local, opera em alta de 2,09%, aos 78.260 pontos.

Durante seu pronunciamento, Powell afirmou que a inflação está perto da meta, mas que a melhor estratégia é manter a alta dos juros de forma gradual, o que trouxe um alívio para os mercados emergentes, afastando o risco de mais altas do que o previsto durante o segundo semestre do ano. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, tem alta de 0,45%.

Mauricio Oreng, economista-chefe do Rabobank, explicou que as declarações do presidente do Fed retiraram a pressão sobre o dólar.

— Ele deu uma indicação de gradualismo e isso deu um alívio em relação ao que vimos no início dos negócios. Em relação aos juros internacionais, já não vemos mais muita pressão adicional sobre o câmbio. O que pode pressionar mais, daqui para frente, é a parte doméstica, e aí estou falando basicamente de eleições — disse.

O Banco Central, nos últimos pregões, vem apenas oferecendo leilões de rolagem de “swap cambial”. Esse instrumento equivale a venda de moeda no futuro, mas como trata-se apenas de uma troca de vencimento, não há aumento de liquidez, o que não influencia a cotação. Para Oreng, essa estratégia do BC tem sido correta.

— Essa ausência mostra, intencionamente ou de forma indireta, que o BC não está focado em um nível de câmbio. Ele quer atuar só quando houver algo disfuncional, como a falta de liquidez ou necessidade de hedge (proteção) — explicou.

De fato, é a componente eleitoral que tem mantido o dólar acima dos R$ 3,85, com o mercado cada vez mais cautelosos com a proximidade do período limite para que os partidos políticos confirmarem suas candidaturas e coligações. "O dia mais negativo no mundo deve impactar os ânimos por aqui também e fazer com que o mercado local tenha resultados negativos", avaliou Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Investimentos.

Na véspera, a divisa americana encerrou os negócios com uma sutil alta de 0,08% ante a moeda brasileira, negociada a R$ 3,868. O que pesou para este resultado foi a desvalorização das no exterior.

Essa pressão sobre as commodities também afetou o desempenho das ações da Petrobras, que ontem fecharam em queda, mas hoje ensaiam uma recuperação. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) estão cotadas a R$ 18,33, alta de 2,51%%. As ordinárias (ONs, com direito a voto) são negociadas a R$ 21,01 alta de 3,09%.

Ainda entre as mais negociadas, as da Vale sobem 1,70%. Além da mineradora, o desempenho das ações dos bancos também contribuem para os ganhos do Ibovespa. As preferenciais de Itaú Unibanco e Bradesco sobem, respectivamente, 1,56% e 2,29%. No caso do Banco do Brasil, a valorização é de 3,18%. Os bancos possuem o maior peso na composição do Ibovespa.

A maior valorização, no entanto, é registrada pelas ações da Marfrig, que sobem 5,43%. Na outra ponta, os papéis da Engie recuam 1,43%, a maior queda entre os papéis do índice.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones tem alta de 0,28%. Já o S&P 500 tem valorização de 0,45%.

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