BUENOS AIRES - O governo do presidente argentino, Mauricio Macri, está decidido a recuperar espaço no mercado internacional e, também, a tornar o país novamente atraente para investidores e agentes financeiros. Com esse claro objetivo, a Comissão Nacional de Valores (CNV) do país aprovou esta semana uma resolução que cria a figura do Assessor Global de Investimentos (AGI), que poderá recomendar a seus clientes a compra de ativos fora da Argentina, algo que fora proibido pelos sucessivos governos kirchneristas, como medida preventiva para evitar a fuga de divisas. Em 2011, essa prática foi considerada um delito financeiro, com condenação de até quatro anos de prisão.
De acordo com analistas locais ouvidos pelo GLOBO, o passo dado pela Casa Rosada é importante e visa, principalmente, trazer de volta para o país grandes bancos de investimentos que abandonaram o mercado argentino depois da crise de 2001-2002. Após ter legalizado mais de US$ 100 bilhões que os argentinos tinham investidos no exterior, agora o governo Macri decidiu normalizar o trabalho dos assessores que operam, a partir da Argentina, em mercados externos.
_ O mercado argentino está atravessando um processo de normalização. O problema é que temos custos muito altos e será difícil, nesse aspecto, competir com países como Chile e Uruguai _ opinou Miguel Boggiano, CEO e fundador da publicação Cartafinanceira.com.
Para ele, "o mundo vive hoje uma concorrência em termos tributários e a Argentina está chegando tarde".
_ Se quiséssemos competir, teríamos de criar uma zona franca _ ampliou o analista.
As limitações são evidentes, quando compara-se a Argentina com vizinhos como Chile e Uruguai. O governo Macri é ciente disso e vem pressionando o Congresso para aplicar uma profunda reforma tributária e, também, do mercado de capitais. Mas os projetos não conseguem avançar, pela oposição, principalmente, de setores do peronismo.
Esta semana, a CNV também modificou a regulamentação dos agentes de investimentos em matéria de negociação, liquidação e compensação "para permitir a realização de acordos com brokers internacionais e para que possam emitir ordens do exterior para seus clientes locais", explicou o organismo em nota oficial.
Segundo uma fonte do setor financeiro, que pediu para não ser identificada, "as resoluções da CNV não deverão ter grande impacto imediato".
_ Estão abrindo as portas para que bancos de investimento retornem à Argentina, mas não vejo que, no curto prazo, isso possa significar mais investimentos no país _ explicou a fonte.
Macri está dando contundentes sinais de abertura ao mundo, em todos os sentidos. O presidente argentino conseguiu que Buenos Aires seja sede da próxima reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), no próximo mês de dezembro, e do G-20, em 2018.

