A conversa ocorreu, na semana passada, nos bastidores da cerimônia em que Bolsonaro anunciou novas medidas do programa Crédito Brasil Empreendedor, segundo apurou o Estadão com fontes que participaram da reunião.
A projeção do Ministério da Economia utilizada no Orçamento é de alta de 1,5% do PIB neste ano. Já a projeção do BC permanece em 1%, mas deve subir no próximo relatório de inflação (documento que o BC divulga a cada três meses com o balanço de riscos para a inflação e previsões de indicadores econômicos).
Os auxiliares do presidente estão preocupados com o impacto da inflação e dos juros mais altos no crescimento no segundo semestre deste ano, na reta final das eleições. Como admitem ministros políticos do presidente, a economia e os preços elevados, sobretudo dos combustíveis, ameaçam a reeleição.
Na defesa de um cenário mais favorável, a área econômica tem reforçado os efeitos dos investimentos privados em concessões de infraestrutura já contratados e também do aumento do emprego. Na visão da área econômica, essa melhora do PIB reforçaria a avaliação de que os governadores também vão sentir o efeito do crescimento maior na arrecadação e que podem lidar com a redução de tributos sobre os combustíveis.
Depois de estimar até mesmo recessão em 2022, o mercado começou a rever para cima as previsões para o PIB. Algumas instituições estão com previsões acima da estimativa de 1,5%. Entre elas, a XP, que dobrou sua projeção de 0,8% para 1,6%. A LCA Consultores também subiu sua estimativa, de 0,7% para 1,6%.
Apesar dessa melhora nas projeções, economistas do mercado apontam incertezas para o segundo semestre do ano, com o efeito da política monetária mais restritiva, que o governo tentou combater com medidas de estímulo ao crédito, entre outras.
Trimestre deve ter alta de 1%, mas desaceleração é esperada
O desempenho sólido em indicadores de atividade econômica sugere um crescimento expressivo do PIB no primeiro trimestre, conforme economistas consultados pelo Projeções Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Entre 45 instituições, 33 esperam alta do PIB maior ou igual a 1% no período.
No primeiro trimestre, o volume de serviços cresceu 1,8%, e as vendas do varejo ampliado subiram 2,3%, na margem, segundo o IBGE. Já a produção industrial teve alta de 0,3%, após quatro quedas seguidas.
"Fomos surpreendidos pelo bom desempenho dos serviços neste início de ano", resume o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, que prevê expansão de 1,2% do PIB na margem no primeiro trimestre, a mediana da pesquisa.
O economista espera um PIB ainda positivo no segundo trimestre, com alta de 0,3%, devido ao impulso de medidas como a antecipação do 13.º salário de aposentados e pensionistas e a autorização de saques emergenciais do FGTS. Mas, no segundo semestre, com os impactos da política monetária, a tendência é de queda da atividade.
A XP Investimentos espera crescimento de 1,4% no PIB do primeiro trimestre, puxado por um avanço de 1,2% em serviços. Segundo o economista Rodolfo Margato, a expansão do setor está atrelada a atividades sensíveis à reabertura econômica, com foco em transporte, armazenagem e correio, outros serviços e comércio, para os quais projeta altas de 3,3%, 2,9% e 2,4%, respectivamente.
"Tivemos uma flexibilização adicional das restrições de mobilidade, como a não obrigatoriedade da máscara em locais de lazer e a volta de grandes eventos sociais e corporativos", explica Margato, que estima um crescimento de 0,2% da indústria e uma queda de 0,5% da agropecuária. Sob a ótica da demanda, o economista destaca o consumo das famílias, cujo crescimento estima em 1,5%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

