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Bolsa brasileira tem queda com receio de nova onda de coronavírus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na esteira das Bolsas de Valores internacionais e com maior aversão a risco de investidores ante a possibilidade de uma nova onda do novo coronavírus no mundo, o Ibovespa - principal índice acionário brasileiro - encerrou o pregão desta segunda-feira (13) com queda de 1,33%, aos 98.697 pontos, na mínima do dia. O volume financeiro foi de R$ 28,4 bilhões. O índice, que operou com sinal positivo e no patamar dos 100 mil pontos durante toda a manhã e boa parte da tarde, inverteu a direção após a notícia de que o governador da Califórnia, Gavin Newson, anunciou o fechamento de diversos serviços e estabelecimentos devido às novas altas nos casos registrados de coronavírus. Os índices americanos S&P 500 e Nasdaq terminaram a sessão desta segunda-feira em queda de 0,94% e 2,13%, respectivamente. Dow Jones encerrou perto da estabilidade, com alta de 0,04%. "O mercado tinha começado animado com as notícias de que o FDA [agência que regula medicamentos nos EUA] teria dado agilidade às vacinas da empresa de biotecnologia alemã BioNTech e da farmacêutica norte-americana Pfizer contra o novo vírus", afirmou o analista da Guide Investimentos Henrique Esteter. Segundo ele, os novos atritos dos EUA e da Europa com a China também acabaram pressionando o mercado. A União Europeia anunciou que está preparando medidas retaliatórias em resposta à nova lei de segurança nacional imposta por Pequim a Hong Kong, que permite a adoção de medidas mais duras a movimentos antigovernamentais e leis mais rígidas sobre a mídia e a internet. Além disso, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, também afirmou em comunicado nesta segunda que a reivindicação do governo chinês pelo controle de recursos no Mar do Sul da China é "completamente ilegal". Os preços do petróleo também refletiram as tensões sino-americanas. O petróleo tipo Brent, principal referência de preços, caiu 2,45%, a US$ 42,18, enquanto o petróleo americano (WTI) recuou 2,34%, a US$ 39,60. "A Bolsa operou bastante volátil. Aqui no Brasil, as construtoras sofreram com maior aversão ao risco por parte dos investidores. As siderúrgicas e mineradoras também subiram, seguindo o minério de ferro, que tinha alta de 4,5% no porto de Qingdao, na China", afirmou a analista de ações da Spiti Corretora Cristiane Fensterseifer. Entre as maiores baixas da Bolsa de Valores brasileira nesta segunda-feira estavam Ambev, Cyrela e Grupo Natura, com quedas de 5,72%, 5,32% e 5,07%, nesta ordem. Os papéis do IRB tiveram a maior alta do dia, com avanço de 5,65%, seguido por Siderúrgica Nacional (3,92%) e Engie Brasil (2,47%). Segundo o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, uma das explicações para a queda expressiva na Ambev é seu posicionamento em um setor cíclico e as expectativas por resultados mais fracos no segundo trimestre. "Com a ciclicidade da atuação, o mercado espera que venha um resultado mais fraco e está mais cauteloso. Essa, sem dúvida, será uma das temporadas mais fracas e isso também tem afetado um pouco as companhias", disse. A divulgação de resultados do segundo trimestre começa ainda neste mês. O dólar, por sua vez, subiu 1,25% ante o real, para R$ 5,39. A moeda brasileira já estava entre as divisas de pior desempenho desde cedo, seguindo um dia mais fraco para pares latino-americanos, diante de perspectivas mais incertas para a região por causa da crise do Covid-19.

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