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Bolsa fecha em leve queda após bater novo recorde no dia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão desta quarta-feira (6) em queda de 0,23%, aos 119.100 pontos, após renovar o recorde intradiário durante o pregão, indo a 120.924,32 pontos. O Ibovespa, principal índice acionário do país, recuou nos últimos minutos do pregão, acompanhando o enfraquecimento das Bolsas em Nova York após apoiadores de Donald Trump invadirem o Congresso dos Estados Unidos. A ação obrigou a Câmara e o Senado a trancarem suas portas e a paralisarem a sessão que deveria confirmar a vitória presidencial de Joe Biden. A invasão aconteceu poucos minutos depois de o próprio presidente americano, durante manifestação na capital do país, Washington, insuflar os ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo. Mais cedo, porém, S&P 500 e o Dow Jones também atingiram recordes no dia, impulsionados pela vitória do partido democrata no Senado no Estado da Geórgia, nos EUA. "Senado alinhado ao governo é melhor para passar as medidas. Senado de um lado e governo do outro sempre dificulta", diz Maurício Battaglia, analista Terra Investimentos. O mercado espera que um Senado controlado pelos democratas facilite a aprovação de novas injeções de capital na economia e fortaleça a retomada, embora com aumento de impostos e regulamentação mais rígida. S&P 500 e Dow Jones encerraram com alta de 0,57% e de 1,44%, respectivamente. Já a a Bolsa de tecnologia Nasdaq caiu 0,6%, refletindo também o efeito da vitória democrata no Senado . Nesse caso, os investidores projetam que o novo presidente ficou fortalecido para aprovar leis que aumentem a regulação sobre as big techs, uma das bandeiras do Joe Biden e de seu partido. O dólar fechou em alta de 0,77%, a R$ 5,3050, maior valor desde 30 de novembro. O turismo está a R$ 5,433 . Dentre emergentes, o real foi a moeda que mais se desvalorizou na sessão, levando o Banco Central a fazer oferta extraordinária de liquidez para amenizar a volatilidade do câmbio. Pouco depois da moeda bater a máxima intradiária, a R$ 5,36, o BC vendeu US$ 500 milhões em contratos de swap cambial tradicional, o que reduziu os ganhos da moeda americana. Analistas disseram que a moeda brasileira volta a sentir os efeitos do juro baixo, que tira do câmbio o amortecedor para eventos de maior estresse externo ou interno. A percepção de incerteza é cresceu diante da perspectiva de que 2021 por ser mais um ano de fluxo cambial negativo, depois de o país ter perdido US$ 72,7 bilhões de dólares apenas nos últimos dois anos -sendo quase US$ 28 bilhões em 2020. Com a queda da Selic a 2% ao ano e a inflação acima de 3%, o juro real no Brasil está negativo, o que desestimula a compra de reais por investidores em busca de lucros em operações de "carry trade" -nas quais no passado o real era destaque. Carry trade é a prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior. Persistentes ruídos fiscais e leitura de que a agenda de reformas enfrentará um duro caminho neste ano completam os fatores negativos ao real. "Esse movimento de tensão política nos EUA acaba que eleva a demanda por ativos de maior segurança, como o dólar", diz Lucas Carvalho, analista Toro Investimentos. Também contribuiu para a desvalorização do real o discurso pró-gasto do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), candidato ao comando da Câmara que tem apoio do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia. Baleia defendei da extensão do auxilio emergencial neste ano e a ampliação do Bolsa Família, medidas que ampliaram as despesas. Com o aumento da percepção de risco fiscal, os juros futuros também subiram no pregão. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. Os juro para dezembro de 2021 foi de 2,754% na véspera para 2,799% ao final do pregão desta quarta e o para julho de 2026 foi de 6,335% para 6,560%. Na terça (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou a atual situação econômica do país e disse que "o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada", levantando críticas de economistas e políticos. "O risco fiscal é importante e está no radar, mas o Brasil não está quebrado. O endividamento está grande, talvez tenha sido um exagero ou forma de dizer do presidente", diz Aline Tavares, gerente de análise de ações da Spiti. A Bolsa ignorou a fala de Bolsonaro. No pregão de terça, fechou em alta de 0,43% após a declaração do presidente, acompanhando a disparada do petróleo, cujo preço foi ao maior nível desde fevereiro de 2020 após a promessa da Arábia Saudita de cortar a produção. "Tudo que o presidente fala é levado em consideração, mas quem acompanha a questão fiscal sabe que não está quebrado, por isso que mercado não mexeu tanto. As declarações de Paulo Guedes têm um peso maior, mas depende da declaração e da forma e do momento em que ela é dita", afirma Aline. "O que tem realmente feito preço no mercado é o ambiente externo. Vimos a reunião da Opep+ [Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados] refletindo nos preços do petróleo nesta semana e, nesta quarta, tivemos a expectativa pelo resultado das eleições na Geórgia", afirmou o analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter. Sobre o ambiente doméstico, Esteter afirma que apesar de estar em segundo plano, os investidores seguem atentos para os desdobramentos da eleição para o novo presidente da Câmara dos Deputados. "O maior risco país ainda é a fragilidade fiscal, o aumento no gasto que ainda não conseguimos estancar", afirmou o analista. No Ibovespa, o destaque positivo na sessão foi a Gerdau, que subiu 4,95%, em sessão positiva para ações de mineração e siderurgia, e tendo no radar perspectivas de aumento de despesas em infraestrutura pelos EUA com um Senado de maioria democrata. A empresa tem parte relevante do resultado nas suas operações nos EUA. Já a Vale avançou 2,81%, mais uma vez beneficiada pela alta dos preços do minério de ferro na China, enquanto o governo de Minas Gerais afirmou à agência de notícias Reuters que espera fechar um acordo superior a R$ 28 bilhões com a mineradora para reparações pelo desastre de Brumadinho, que deixou centenas de mortos em janeiro de 2019. Na outra ponta, B2W ON perdeu 6,93%, com empresas de comércio eletrônico no vermelho. Sua controladora Lojas Americanas cedeu 5,74%, tendo ainda de pano de fundo exclusão pelo Bank of America de seus papéis do portfólio principal de ações para a América Latina. Localiza caiu 5,45%, liderando perdas no setor. Unidas perdeu 4,84%. Movida, que não faz parte do Ibovespa, teve declínio de 3,12%.

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