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Bolsa fecha em queda de 7% com coronavírus e se aproxima de perdas do Joesley Day

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira voltou do feriado de Carnaval com forte queda de 7%, a 105.718 pontos, menor patamar desde outubro.

A desvalorização é a maior desde o Joesley Day, quando a Bolsa caiu 8,8% após divulgação de uma gravação comprometedora entre o presidente e o empresário Joesley Batista, em 18 maio de 2017.

Em termos nominais, a perda de pontuação da Bolsa nesta quarta foi superior a queda de 2017. Foram 7.647 pontos a menos para o Ibovespa nesta sessão contra 5.943 pontos de cerca de três anos atrás.

O índice reflete as fortes quedas dos mercados globais nos últimos dias, devido ao aumento de casos do coronavírus fora da China, especialmente na região mais industrializada da Itália.

Com o avanço da doença em importantes polos industriais e financeiros, aumenta a percepção de que o crescimento da economia global pode ser menor que o esperado para este ano.

Em reflexo, a cotação do dólar fechou em alta de 1,3%, a R$ 4,45, novo recorde nominal (sem considerar a inflação). Na sessão, é a moeda que mais se desvaloriza dentre as principais divisas nesta quarta.

Meia hora após a abertura das negociações no Brasil, o Ibovespa registrava retração era de 5% com R$ 3,3 bilhões negociados nos 30 primeiros minutos do pregão, volume acima da média. Ao final do dia, o giro financeiro foi de R$ 33 bilhões, R$ 8 bilhões a mais que a média diária para o ano.

O movimento reflete a queda de 6,4% do fundo de índice (ETF) que replica o Ibovespa em dólar (iShares MSCI Brazil) na Bolsa de Nova York entre segunda (24) e terça (25), enquanto as negociações brasileiras permaneceram paralisadas pelo feriado.

Nos dois últimos dias, os recibos de ações (ADRs) de Petrobras e Vale negociados em Nova York caíram 8,8% e 10%, respectivamente. Os ADRs da Gerdau acumulam queda de 8,6%, e os do Bradesco, de 5%.​

Nesta quarta, as ADRs da Petrobras caíram 2% e as da Vale, 1,3%. O iShares MSCI Brazil caiu 1,4%.

No Bolsa brasileira, as ações preferenciais da Petrobras (mais negociadas) despencaram 10%, a R$ 26,21. As ordinárias (com direito ao voto) recuaram 9,95%, a R$ 27,78.

Vale caiu 9,5%, a R$ 45,35 e Gerdau, 10,5%, a R$ 17,10. Ações ordinárias do Bradesco caíram 7,3%, a R$ 27,22.

As maiores quedas são de companhias aéreas, que estão entre os setores mais afetados. Para evitar o contágio, pessoas adiam ou cancelam viagens. As ações da Gol despencaram 14,3%, a R$ 28,98. As da Azul, 13,3%, a R$ 48,25.

A valorização reflete o temor de investidores aos impactos econômicos do coronavírus. Nos últimos dias, a doença se alastrou pela Europa, em especial, na Itália. Na terça (25), foi confirmado o primeiro caso no Brasil.

"O problema chegou mais perto da gente, o que deixa todo mundo mais alarmado. O primeiro trimestre da China está comprometido e certamente vai haver um impacto do coronavírus na economia brasileira, mas ele ainda é difícil de mensurar”, afirma Eduardo Cavalheiro, gestor na Rio Verde Investimentos.

Cavalheiro, porém, não fez mudanças no fundo da gestora (Rio Verde Small Caps FIA). “Não tendemos a agir logo no primeiro momento. Não dá para saber o quanto as coisas vão piorar. Precisamos piorar para poder analisar melhor, nosso fundo olha o longo prazo. De três a cinco anos.”

Betina Roxo, analista da XP, também afirma que o coronavírus não muda os fundamentos de boas empresas a médio e longo prazo. “Ainda estamos em um momento de incerteza sobre quais serão os impactos. Pode ser que o mercado continue volátil no curto prazo, com pressão, mas, no longo prazo, o cenário para a Bolsa é favorável”. ​

Para conter a alta do dólar, o Banco Central (BC) anunciou leilão extraordinário de 10 mil contratos de swap cambial nesta quarta, das 13h30 às 13h40, que totalizam US$ 500 milhões. Na quinta (26) serão ofertados 20 mil contratos das 9h30 às 9h40, que equivalem a US$ 1 bilhão.

Na prática, a operação promove o aumento da oferta da moeda, já que o BC oferece contratos que remuneram o investidor pela variação cambial, o que ajuda a reduzir o preço do dólar.

No exterior, após dois dias de fortes quedas, as Bolsas tiveram movimentos mais amenos. Nos Estados Unidos, Dow Jones caiu 0,46% e S&P 500, 0,4%. Nasdaq teve alta de 0,2%.

O índice Stoxx 50, que reúne as maiores empresas da Europa, fechou em leve alta de 0,14%. Londres subiu 0,35% e Itália, 1,44%. Frankfurt caiu 0,12%.

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