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Bolsa oscila perto da estabilidade com risco político no radar do mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após iniciar o pregão em queda, a Bolsa de Valores brasileira ensaiou alguma recuperação, em um dia de alta nos mercados globais, e passou a operar perto da estabilidade no início da tarde.

Os ataques do ex-deputado Roberto Jefferson contra policiais federais, e o impacto que o evento pode trazer para as chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) faltando menos de uma semana para o segundo turno, têm mantido o tom de maior cautela entre os agentes de mercado.

Por volta das 13h30, o índice de ações Ibovespa oscilava em leve alta de 0,06%, negociado aos 116.053 pontos, após ter tombado 3,27% no pregão de segunda-feira (24), a maior queda desde novembro do ano passado.

No câmbio, o dólar, que na véspera subiu quase 3%, a maior alta em seis meses, iniciou a sessão novamente em alta, chegando a encostar em R$ 5,35 na máxima do dia, mas reverteu de tendência no início da tarde, passando a recuar 0,18%, a R$ 5,2910.

Já nas Bolsas americanas, o dia é de ganhos para os principais índices acionários —o S&P 500 avançava 0,93%, o Dow Jones subia 0,39% e o Nasdaq tinha valorização de 1,43%.

"O episódio envolvendo a prisão de Roberto Jefferson foi avaliado como negativo à campanha de Bolsonaro, em uma visão receosa de que o evento possa frear o movimento de recuperação do atual presidente", apontam os analistas da XP em relatório.

Na agenda de indicadores, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) voltou a subir em outubro, após dois meses consecutivos em queda, informou nesta terça (25) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta foi de 0,16%.

A variação é a menor para o mês desde 2019 (0,09%), mas veio acima das previsões do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam elevação de 0,09%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 até perdeu fôlego, mas continua em alta. O avanço atingiu 6,85% até outubro. Estava em 7,96% até setembro.

Segundo Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da MAG Investimentos, a surpresa altista se deu principalmente pela alta de 28% de passagem aérea.

No entanto, em uma avaliação mais detalhada, a dinâmica da inflação veio melhor do que a esperada, com altas abaixo das expectativas nos alimentos e com bens industriais mais bem comportados, afirmou Oliveira.

"O resultado de hoje favorece uma expectativa de melhora no cenário inflacionário, embora não seja suficiente para voltarmos ao intervalo de tolerância da meta de inflação do BC", disse o economista.

Já no mercado internacional, as atenções dos investidores se voltam para o balanço de resultados corporativos trimestrais. Nesta terça, está prevista a divulgação dos números, após o fechamento do mercado, de "big techs" como Microsoft e Alphabet (controladora do Google).

A partir dos dados, será possível ter uma clareza maior sobre o impacto da inflação e dos juros em alta para os resultados das grandes empresas americanas de tecnologia.

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