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Bolsa renova máxima em mais de dois anos após Fed sinalizar queda de juros nos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira teve alta de 2,42% nesta quarta-feira (13) e fechou o dia aos 129.465 pontos, segundo dados preliminares, renovando seu maior patamar em mais de dois anos, após após o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciar que decidiu manter as taxas de juros americanas na faixa entre 5,25% e 5,50%.

Já o dólar, que passou o dia oscilando, engatou queda após o anúncio e fechou o dia com recuo de 0,93%, cotado a R$ 4,919.

Além de confirmar as expectativas do mercado ao manter os juros inalterados, o Fed também divulgou que seus diretores projetam um corte de 0,75 ponto percentual nas taxas em 2024, dando otimismo a investidores. Nenhuma autoridade do banco prevê altas de juros no próximo ano.

Em seu comunicado, o Fed afirmou que indicadores recentes sugerem que o crescimento da atividade econômica dos EUA desacelerou de seu forte ritmo do terceiro trimestre, citando que a elevação dos juros conseguiu moderar o aquecimento do mercado de trabalho e que a inflação caiu ao longo do ano, apesar de permanecer elevada.

O banco apontou, ainda, as condições que o faria considerar "algum reforço adicional da política" que possa ser apropriado para levar a inflação à meta de 2%. A palavra "algum" foi adicionada ao comunicado da autoridade, num sinal visto como mais suave pelo mercado, sugerindo que o banco central pode não ver a necessidade de aumentar as taxas.

Em coletiva de imprensa, Jerome Powell, presidente do Fed, disse que a inclusão da palavra "qualquer" refletia a visão de que a taxa de juros estava "provavelmente no seu pico". Ele também acrescentou que, embora as autoridades "não considerem apropriado aumentar ainda mais as taxas de juros, também não querem retirar a possibilidade da mesa".

"O Fed está percebendo um ambiente mais benigno. Houve um afrouxamento de condições financeiras relevantes no último mês, e mesmo assim fizeram essa alteração. Tudo isso está apoiado basicamente na projeção de inflação", afirma Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital.

A analista aponta, ainda, que o aperto de juros do Fed poderia ser um obstáculo também para um possível aumento do corte de juros no Brasil. Por isso, a nova percepção do banco é uma boa notícia para países emergentes e para a política monetária brasileira.

Na terça (12), o Departamento do Trabalho americano divulgou que a inflação dos EUA ficou em 3,1% nos 12 meses acumulados até novembro.

"O mercado projeta que o ciclo de afrouxamento já comece a partir de março. Contudo, o Comitê deve manter os juros nesse patamar até, pelo menos, o fim do 2º trimestre, caso a trajetória econômica prevista se consolide. A resiliência da economia, principalmente do mercado de trabalho, somado à uma inflação ainda persistente não permite o corte no curto prazo", afirma Eduarda Schmidt, economista da Órama.

Às 17h46, o Ibovespa subia 2,49%, aos 129.551 pontos.

Em Wall Street, os índices de ações americanos, que passaram o dia rondando a estabilidade, começaram a subir. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq avançavam 0,96%, 1,23% e 1,15%, respectivamente.

Após o fechamento do mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária), no Brasil, também anuncia sua decisão e deve realizar um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, levando-a a 11,75%.

JUROS FUTUROS CAEM E IMPULSIONAM IBOVESPA

Na esteira do Fed, os mercados de juros futuros do Brasil registraram forte queda e beneficiaram as empresas locais, em especial as "small caps", companhias menores e mais ligadas à economia doméstica.

Às 18h, os contratos de juros com vencimento em janeiro de 2025 iam de 10,26% para 10,08%, enquanto os para 2027 caíam de 10,00% ara 9,72%.

Com isso, as maiores altas do dia na Bolsa eram de empresas como Magazine Luiza, Hapvida e MRV, mais sensíveis ao movimento dos juros. As três operavam em alta de mais de 7%.

Além disso, o setor financeiro também foi destaque do Ibovespa. Itaú, Bradesco e Banco do Brasil estavam entre as mais negociadas da sessão e registravam desempenho positivo. Completando a lista, Vale e Petrobras, as maiores empresas da Bolsa brasileira, também operavam em alta.

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