SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa está em alta e o dólar em queda no início da tarde desta terça-feira (28). Analistas afirmam que, apesar de adotar um tom dentro do esperado, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) trouxe sinalizações do BC (Banco Central) de que, se bem elaboradas, as novas regras fiscais podem ajudar a melhorar as expectativas de inflação, e a partir daí, abrir espaço para corte nos juros.
Às 13h25, o Ibovespa operava em alta de 1,53%, a 101.204 pontos. O dólar comercial à vista recuava 0,90%, a R$ 5,160.
No mercado de juros, os investidores ajustam suas expectativas, aumentando as taxas por conta da continuidade do tom mais duro do BC, visto no comunicado da semana passada.
No contratos para janeiro de 2024, as taxas passavam dos 13,05% do fechamento desta segunda-feira (27) para 13,16%. Para janeiro de 2025, os juros subiam de 11,88% para 12,01%. No vencimento em janeiro de 2027, a taxa avançava de 12,14% para 12,18%.
Na visão de analistas, o foco principal do BC para tomar suas decisões sobre juros continua sendo nas expectativas para a inflação. Por isso, a ata fala de projeções de preços ainda acima da meta, mesmo em cenário de juros estáveis em 13,75% ao ano.
André Fernandes, diretor de Renda Variável e sócio da A7 Capital, acredita que, com a ata, o BC "jogou a bola" para o governo, ao relacionar um bom arcabouço fiscal com a melhora nas expectativas para a inflação.
"A ata passa o recado de que um arcabouço fiscal crível pode reduzir as incertezas, o prêmio de risco e melhorar as expectativas da inflação", afirma Fernandes.
"A ata foi bastante técnica e até mesmo didática, se afastando de discussões políticas, mas procurando endereçar todos os pontos que vinham sendo colocados no debate atual da condução da política monetária", afirma João Savignon, diretor de pesquisa macroeconomica da Kínitro Capital.
Sobre a importância da política fiscal, Savignon destaca o trecho em que o BC trata das estatísticas de arrecadação deste início de 2023 e a reoneração de combustíveis. Esta parte é considerada pelo economista como um "aceno ao Ministério da Fazenda".
"No entanto, o Copom enfatizou que não há 'relação mecânica' entre a convergência de inflação e a apresentação do arcabouço fiscal, uma vez que a primeira depende da reação das expectativas de inflação, das projeções da dívida pública e dos preços de ativos", diz Savignon.
Denis Medina, economista e professor da Faculdade do Comércio, ressalta que o BC explica na ata os motivos da ênfase nas expectativas de inflação. "O Copom explica que uma perspectiva de inflação alta é incorporada nos preços atuais e até mesmo nos salários. Isso leva a uma alta nos preços atuais".
O mercado espera agora pela reação de membros do governo á ata do Copom. Nesta tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, participam de um debate sobre reforma tributária em Brasília.
No exterior, os juros também seguem no centro das atenções dos investidores. James Bullard, presidente do escritório de Saint Louis do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), disse que uma "política monetária apropriada pode continuar derrubando a inflação".
Outro ponto que surpreendeu os investidores foi o aumento da confiança dos consumidores nos Estados Unidos, medida pela associação empresarial Conference Board. Mesmo em um momento de crise dos bancos, a pontuação do indicador subiu de 103,4 para 104,2 pontos, enquanto economistas ouvidos pela Bloomberg esperavam uma queda para 101 pontos.
Em Nova York, os índices de ações estão sem direção única. Às 13h25 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,16%. O S&P 500 e o Nasdaq operavam com quedas de 0,13% e 0,72%, respectivamente.
Os investidores ficarão atentos também às declarações de Michael Barr, vice-presidente de Supervisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano). Ele falará ao Congresso dos Estados Unidos sobre a saúde dos bancos do país.

