O presidente do BC voltou a dizer que a divisão no Copom vinha da reunião anterior, em junho, quando parte do colegiado já via condições para sinalizar uma queda de juros no encontro de agosto, enquanto o outro grupo estava mais cauteloso, querendo ver maior evolução do processo desinflacionário e de redução das expectativas.
Na entrevista, Campos Neto afirmou que havia dúvidas em junho sobre o desempenho dos núcleos de inflação e sobre a definição da meta inflacionária pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que, depois da reunião, resolveu mantê-la em 3,0% nos próximos anos. Segundo o presidente do BC, o Ministério da Fazenda não tinha dito qual seria seu voto, mas ele acreditava que seria de 3,0%.
"No Copom de junho, eu estava entre os que defendiam que a porta (para corte) fosse aberta", repetiu Campos Neto, lembrando que essa divisão no comitê foi o que causou ruído entre o comunicado e ata do Copom naquela oportunidade.
"No Copom de agosto, a divisão permaneceu mais ou menos igual, tanto que, quem queria manter a porta fechada votou por corte de 0,25pp e quem achava que deveria deixar a porta aberta entendeu que diante do que tinha acontecido (inflação e meta), haveria espaço para corte de 0,50pp", completou.

