"Quando olhamos para o prêmio na ponta longa (da curva de juros) e aí por diante, achamos que, se quisermos mesmo ser capazes de diminuir os juros e de viver com juros menores, provavelmente precisaremos estar dispostos a sinalizar para o mercado medidas que serão interpretadas como um choque positivo", afirmou ele, em reunião com investidores organizada pelo Deutsche Bank, em Londres.
Campos Neto, que deixará o cargo no fim do ano, disse que os números fiscais do Brasil, tanto no que diz respeito ao resultado primário quanto à evolução prevista da dívida pública, são similares aos de outros emergentes, embora o ponto de partida da dívida do País seja maior.
"Eu reconheço que tivemos algumas notícias desfavoráveis recentemente, especialmente quando olhamos para a percepção do mercado de que alguns números estão se tornando menos transparentes", disse ele. Sob pressão do mercado, a equipe econômica tem afirmado que vai discutir nas próximas semanas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pacote com propostas de corte de gastos.
Tebet
Já a ministra do Planejamento, Simone Tebet, voltou a dizer que o momento é de "coragem" para cortar gastos em políticas públicas que são ineficientes, usando o espaço que será aberto no Orçamento para fazer investimentos, e não necessariamente superávit fiscal. "Números mostram que, tudo que tinha de dar certo, deu, só falta uma coisa: termos a coragem de cortar o que é ineficiente. Erros e fraudes já foram cortados em 2023, agora é hora de acabar com políticas públicas que são ineficientes", disse ela, em evento em São Paulo. (COLABOROU AMANDA PUPO)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

