BUENOS AIRES - A companhia aérea Norwegian Air Shuttle ASA revelou que planeja oferecer voos de baixo custo que liguem o Brasil à Argentina e à Europa para impulsionar as operações na América do Sul, que começaram há um mês. Segundo o diretor-executivo, Bjorn Kjos, a empresa já recebeu autorização do governo argentino para operar voos para 13 cidades brasileiras. A companhia também considera operar em outros países latino-americanos.
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— Atendemos muitos lugares nos Estados Unidos e na Europa, mas a América do Sul é nosso foco em 2018. Há outros países que são prioridade que ainda não estão bem servidos — disse Kjos.
A companhia está entrando em um mercado já disputado e terá que pressionar seus voos de baixo custo para se destacar. Já operam para a Europa a Latam, a TAP, e a Air France/KLM — as últimas duas com parcerias com as empresas locais Azul e GOL.
A Norwegian Air Shuttle ASA é uma das empresas aéreas de baixo custo que entraram no mercado argentino em meio aos esforços do governo Mauricio Macri para abrir novas rotas e reduzir custos aos consumidores. Começou a operar voos entre Buenos Aires e Londres em fevereiro. Antes, em dezembro, recebeu autorização para operar até 72 voos domésticos e 80 rotas internacionais.
Mas Kjos diz que ainda há desafios: o governo argentino mantém um piso para o preço dos voos, um obstáculo para quem quer atuar no mercado de baixo custo, e as taxas de aeroportos são maiores que em outros mercados da região.
— Nós podemos ser rentáveis com as taxas dos aeroportos e o piso de preços. Mas mudanças são importantes para a capacidade de o país competir — afirmou.
A companhia vai começar a vender passagens para voos domésticos na Argentina em maio e espera começar neste nicho em agosto, mas ainda não tem planos de curto prazo para conseguir um certificado para operar voos domésticos no Brasil.
A estratégia da Norwegian Air Shuttle ASA na América Latina também traz uma tentativa de usar sua estrutura de forma mais eficiente, já que a demanda por voos varia de acordo com a época do ano. Para Kjos, usar sua frota de aviões em um lado do mundo em uma parte do ano e do outro lado do mundo na outra parte do ano é “um cenário ideal”. A ideia é que aviões, pilotos e tripulação que operam na Argentina possam trabalhar na Argentina em alguns meses do ano e também na alta temporada na Europa. Este plano, no entanto, precisa de autorização de autoridades argentinas e europeias.

