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Dólar fecha perto da estabilidade apesar de aumento da aversão ao risco

Estadão

Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 7, cotado a R$ 4,9234 (+0,05%). Mais uma vez, a dinâmica no mercado de moedas esteve atrelada às expectativas em torno das negociações de paz no Oriente Médio, que têm como termômetro os preços do petróleo. Principal evento do ponto de vista doméstico, o encontro entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi monitorado, mas não teve impacto na formação da taxa de câmbio.

Pela manhã, o sinal de baixa predominou no exterior, com o dólar perdendo força em relação a moedas fortes e emergentes, diante do otimismo com a possibilidade de fim iminente da guerra. O real chegou a destoar do comportamento positivo dos pares em certos momentos, abalado pela queda do petróleo, que ensejava ajustes para realização de lucros com a moeda brasileira, e por certa cautela após a intervenção da quarta-feira do Banco Central.

A piora da percepção de risco geopolítico na segunda etapa de negócios, na esteira das notícias relacionadas ao Estreito de Ormuz, afastou o petróleo das mínimas e impulsionou as taxas dos Treasuries e a moeda americana.

Por aqui, o dólar tocou máxima de R$ 4,9314 no início da tarde para depois se acomodar na casa de R$ 4,92. A mínima pela manhã foi de R$ 4,8960.

O mercado começou a azedar quando circulou a informação de que o Irã pretende adotar novas regras para o tráfego em Ormuz. Além disso, Arábia Saudita e Kuwait suspenderam restrições ao uso de suas bases militares e espaço aéreo pelos EUA, dando margem para que Trump retome o Projeto Liberdade, que abrange a escolta de embarcações pelo Estreito. As cotações do petróleo até recuaram, mas o contrato do Brent se manteve acima da marca de US$ 100 o barril.

Apesar da falta de fôlego exibida na quarta e nesta quinta, a divisa ainda apresenta baixa nos quatro primeiros pregões de maio (0,59%), após recuo de 4,36% em abril. As perdas acumuladas no ano permanecem em dois dígitos (10,30%). O real segue como a moeda com melhor desempenho em 2026.

Para Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, a manutenção da política monetária restritiva, com a perspectiva de cortes moderados da taxa Selic, é o principal ponto de suporte ao real. A melhoria dos termos de troca proporcionada pela valorização do petróleo, em razão do conflito no Oriente Médio, deu um fôlego adicional à moeda brasileira nas últimas semanas, levando a taxa de câmbio ao menor nível em mais de dois anos.

"Uma apreciação adicional é possível se a fraqueza global da moeda americana persistir, mas uma taxa de câmbio abaixo de R$ 5,00 já me parece exagerada", afirma Abadia. "O Banco Central já começou a se contrapor ao rali com a oferta de swaps cambiais reversos, que são usados em momentos de forte movimento de apreciação."

A avaliação da maioria dos analistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que o BC aproveitou a maré positiva para o real para testar, com a oferta isolada de swaps cambiais reversos, a reação do mercado a uma eventual estratégia de redução mais acelerada do estoque de swaps cambiais tradicionais, que está acima de US$ 95 bilhões. O BC já vinha diminuindo sua posição em swaps, deixando parte das posições vencer nas operações mensais de rolagem e com a oferta de swaps cambiais reversos em conjunto com a oferta de venda de dólar à vista - operação conhecida como "casadão".

Lá fora, o índice DXY - termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - operava em alta de cerca de 0,10% às 17 horas, ao redor dos 98,120 pontos, após máxima de 98,204 registrada pouco antes. Pela manhã, com apetite ao risco, rompeu o piso de 98,000 pontos, com mínima de 97,815 pontos.

Para o economista Eduardo Levy, sócio da LB Endow, uma solução mais duradoura para o conflito no Oriente Médio tende a jogar o dólar para baixo, sobretudo na comparação com divisas emergentes. Ele identifica um forte apetite por risco por parte de investidores, sobretudo os institucionais.

"A entrada de recursos para o Brasil pode aumentar significativamente se houver uma melhora do cenário externo, com diminuição do risco geopolítico. Se o petróleo cair, os juros nos EUA podem ceder também por conta da inflação mais baixa. Isso aumenta ainda mais o diferencial de juros", afirma Levy.

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