O dólar à vista desacelerou bem o ritmo de alta na reta final dos negócios com a diminuição da percepção de risco no exterior. O alívio veio na esteira da expectativa de possível extensão do prazo dado pelos EUA ao Irã para aceitar um acordo de cessar-fogo nos termos propostos pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Após ter registrado máxima de R$ 5,1735 pela manhã e trabalhado acima de R$ 5,16 ao longo da tarde, o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,1550, em alta de 0,17%. Apesar do avanço desta terça-feira, a divisa ainda acumula perdas de 0,46% em abril. Na segunda-feira, a moeda norte-americana fechou a R$ 5,1465, no menor nível desde 27 de janeiro (R$ 5,1340), véspera da eclosão da guerra. No ano, as perdas são de 6,08%.
A dinâmica do mercado global de moeda foi ditada, uma vez mais, pelo vaivém do noticiário em torno de possível escalada do conflito no Oriente Médio. Pela manhã, Trump afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta", em referência à possibilidade de ataques massivos ao Irã, caso o país persa rejeite proposta de cessar-fogo ou não reabra o Estreito de Ormuz no prazo estipulado pelos EUA (21h, horário de Brasília).
No fim da tarde, o Paquistão solicitou aos EUA a extensão do prazo e exortou o Irã a reabrir Ormuz como "um gesto de boa fé nas próximas semanas". Em seguida, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente dos EUA foi informado da proposta feita pelo governo paquistanês e que "uma resposta virá". Circularam informações de que o Irã estaria de acordo com o plano.
O real exibiu um dos piores desempenho entre as principais divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Peso chileno e peso argentino amargaram perdas maiores. Operadores afirmam que pode ter ocorrido um movimento mais forte de ajustes e realização de lucros, após a recuperação recente do real, com a taxa de câmbio recuando de R$ 5,30 em meados de março para orbitar R$ 5,15 nos últimos dias.
"O real destoou um pouco hoje, com desvalorização superior à da maioria das moedas emergentes. Isso parece ligado ao fato de a nossa moeda ter se valorizado mais nos últimos dias", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, para quem o "ruído fiscal" com as medidas do governo de subvenção ao diesel podem ter contribuído para o tropeço da moeda brasileira.
Na segunda, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o custo das medidas, em dois meses, será de R$ 8 bilhões. Em termos anualizados, saltaria para R$ 31 bilhões. A equipe econômica afirma que o impacto fiscal será neutro, dado o ganho de arrecadação com o aumento dos preços do petróleo.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, pontua que a arrancada dos preços da commodity já provocou uma piora das projeções de inflação, o que pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a encurtar o ciclo de redução da taxa Selic. "Um ciclo de corte menor pode favorecer a moeda brasileira. Mas, de outro lado, podemos ter juros reais menores, com a piora das expectativas e da inflação corrente", afirma o economista.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em leve baixa ao longo do dia e rondava os 99,700 pontos no fim da tarde, em queda de cerca de 0,30%, após máxima aos 100,156 pontos. A sessão foi marcada pelo fortalecimento do euro e da libra, em meio ao aumento de apostas de aperto monetário pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE), em razão do choque de custos nos preços de energia.
Após volatilidade ao longo do pregão, as cotações do petróleo encerraram o dia em direções opostas, com oscilações modestas, apesar do aumento das tensões geopolíticas. O contrato do WTI para maio subiu 0,48%, a US$ 112,95 o barril. Já o Brent para junho - referência de preços para a Petrobras - recuou 0,45%, a US$ 109,27 o barril.
A Bradesco Asset reduziu a previsão para a taxa de câmbio ao final de 2026 de R$ 5,35 para R$ 5,30. Já a projeção para o dólar no fim de 2027 foi mantida em R$ 5,50. "A recente apreciação do real frente ao dólar, mesmo diante do aumento na aversão ao risco por conta dos conflitos no Oriente Médio, e a expectativa mais favorável para as exportações brasileiras nos levaram a revisar nossa projeção", afirmou a casa, em relatório.
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