SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em alta nesta quinta-feira (9) , chegando ao patamar de R$ 5,27, enquanto a Bolsa caminha para encerrar o dia em queda, após notícias de que o governo pretende antecipar discussões sobre a meta de inflação.
O dólar comercial à vista fechou o dia em alta de 1,44%, a R$ 5,270, e já acumula valorização de quase 4% ante o real em fevereiro. Perto das 17h40, o Ibovespa operava em baixa de 1,73%, a 108.042 pontos.
Os juros com vencimentos mais curtos apresentavam queda, após a divulgação da inflação de janeiro, que ficou abaixo do esperado. Os contratos com vencimento em 2024 recuavam dos 13,55% do fechamento desta quarta-feira (8) para 13,42% ao ano. Para 2025, a taxa estava mais próxima da estabilidade, passando de 12,83% para 12,86%. Para 2027, a taxa apresentava alta, de 12,92% para 13,12%.
Segundo a agência Bloomberg, a equipe econômica nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que a revisão das metas para inflação diminuiria as tensões com a atual diretoria do Banco Central.
Normalmente, o CMN (Conselho Monetário Nacional) discute estas metas em junho. Mas a deliberação poderia ser antecipada para rever a meta de 3,25% ao ano para 2023, e 3% ao ano para 2024 e 2025.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, seria a favor da alteração nas metas.
"Diante do morde e assopra promovido pelo Executivo, parece haver um crescente entendimento que a revisão das metas vai ao encontro da preocupação central do governo Lula, que é promover crescimento econômico, ancorar as expectativas de inflação em patamares menores e, com isso, reduzir os juros", diz a Levante Investimentos em relatório.
Ainda segundo a Levante, já acontecem conversas nos bastidores sobre uma possível proposta de Campos Neto para elevar a meta de inflação deste ano deste ano para 3,50%.
Felipe Cima, operador de renda variável da Manchester Investimentos, lembra que o senador Randolfe Rodrigue (Rede-AP), líder do governo no Congresso, disse que a meta é ter os juros entre 7% e 8% no Brasil.
"Com a perspectiva de que os juros nos Estados Unidos cheguem a 5%, e fiquem assim por um tempo, não é possível pensar que o Brasil consiga atingir esse patamar. O dólar precisaria subir muito para manter esse cenário", explica Cima.
Nesta quinta-feira, foi divulgado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro, com alta de 0,53% ante dezembro, e de 5,77% em 12 meses. A maior pressão veio da categoria Alimentos e Bebidas, com avanço de 0,59%.
Entre as ações, destaque para as preferenciais de Gerdau e Metalúrgica Gerdau, que caíam quase 8% pouco depois das 17h30. Os bancos JP Morgan e Goldman Sachs rebaixaram suas recomendações para os papéis, de Compra para Neutra.
No caso da Gerdau, o preço-alvo da ação preferencial caiu para R$ 32,50, no caso do JP Morgan, e para R$ 31,00, no caso do Goldman Sachs. Nesta quinta, a ação opera na casa dos R$ 29,25.
As ações preferenciais e ordinárias do Bradesco recuavam cerca de 2,30%, pouco antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2022, que será realizada após o fechamento da Bolsa nesta quinta.
As Bolsas em Nova York também caíam pouco antes do fechamento, com o mercado apontando que os juros devem permanecer altos nos Estados Unidos por mais tempo que o inicialmente esperado. Entre as empresas, destaque para a Disney, que anunciou a demissão de 7 mil funcionários e corte de US$ 5,5 bilhões em despesas.
Perto das 17h40 (horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 0,82%, o S&P 500 estava em baixa de 0,91%, e o Nasdaq caía 1,15%.

