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Economia do Brasil vive balançando como uma 'Kombi velha', diz Renan Filho

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou nesta quarta-feira (7) que o Brasil tem potencial para voltar a ser a sexta maior economia do mundo, como aconteceu no início dos anos 2010.

Em evento do BTG Pactual, Renan falou sobre as idas e vindas pelas quais o país passou recentemente, fazendo uma comparação com uma "Kombi velha".

"Esse país é a sexta economia do mundo. É que ele vive balançando, feito uma Kombi velha, sabe? Quando o banco está solto por dentro... Mas se apertar os parafusos, olhar o pneu, der um negocinho, ele vai para sexta economia", afirmou.

Em painel sobre concessões de infraestrutura, o ministro falava sobre o nível de investimento atual do Brasil, reforçando o papel da iniciativa privada para alavancar os recursos injetados no país.

"Às vezes o próprio Brasil não tem capacidade de fazer investimento na necessidade da nossa infraestrutura, por isso que a gente investe 2% do PIB", afirmou.

Segundo ele, antigamente o Brasil investia mais proporcionalmente, mas porque o PIB era menor.

"Hoje a gente investe mais, talvez, relativamente do que naquele tempo, só que enfrentando um PIB que pulou de décimo segundo para nono no ano passado. E se soprar um pouquinho, pessoal, a gente volta a ser sexto."

"A gente tem 200 milhões de habitantes. Como que a Itália vai ficar na nossa frente? Não tem como! A gente tem que chegar ali. Agora, de uns tempos pra cá, a gente balançou, bateu no teto, [teve] buraco na estrada. Essa Kombi, vai aqui e acolá, voa um pneu, o cara tem que parar, passa dois anos pra trocar aquele pneu. Mas esse país é vocacionado para crescer. A gente produz muito, a gente tem muita oportunidade", acrescentou Renan.

Em relatório publicado em outubro de 2023, o FMI (Fundo Monetário Internacional) projetou que o Brasil pode voltar a ocupar o nono lugar entre as maiores economias do mundo em 2023.

O Fundo passou a estimar que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro será de US$ 2,13 trilhões em 2023, ultrapassando o Canadá (US$ 2,117 trilhões).

Durante o evento, o ministro falou em diversas ocasiões que o Brasil é um país atrativo para o investimento estrangeiro, mas que é preciso fazer o diálogo com os donos do capital.

Renan conclamou os gestores e o mercado financeiro a organizar a vinda de recursos, por exemplo, dos fundos soberanos, como os da Arábia Saudita e Singapura, que são os maiores detentores de volume de recursos para investimento.

Segundo ele, esses fundos não encontram, mundo afora, projetos com taxa interna de retorno de quase 10%.

"Eu não tenho nenhuma dúvida de que o Brasil vai continuar sendo campeão, ou um dos países campeões, na recepção do investimento internacional, vai continuar. A gente sempre foi um grande, mas agora vai cada vez ser mais, porque nós temos bons projetos que são rentáveis, não é favor para ninguém investir no Brasil", afirmou.

"Talvez os nossos projetos sejam os mais rentáveis do mundo, porque o mundo desenvolvido não tem as mesmas oportunidades num mercado tão crescente quanto o nosso."

Para uma plateia de políticos, gestores, empresários e membros do mercado financeiro, Renan disse que a primeira coisa que fez ao chegar no governo foi se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e questionar sobre o objetivo dele em relação ao capital privado. A orientação, ele disse, foi para atrair esses recursos, a fim de somar esforços.

"Nós temos que ampliar os investimentos públicos dentro da sustentabilidade fiscal, porque se fizer a sustentabilidade fiscal balançar, não vale a pena. Vale mais a pena, para a gente, derrubar a taxa de juros para o máximo que ela puder cair", disse.

"Porque cada ponto [que a Selic cai] faz a gente economizar quase R$ 50 bi no pagamento do serviço da dívida e anima o setor privado a tirar o dinheiro que está parado para não correr risco, rendendo muito, e ter que aplicar na economia real, a fim de recuperar ou ganhar mais recursos o mais rápido possível", disse.

O ministro ainda disse não ver incongruência entre ganhar dinheiro e o país ter uma justiça social maior.

"Na verdade, a incongruência de maneira mais clara ocorre quando no Brasil ninguém ganha dinheiro, porque aí fica aquele problema da casa, onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão."

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