SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Embora esteja afastado do comando do Grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, o patriarca da família, terá a palavra final na escolha do nome do novo presidente do grupo. O grupo passa por um processo sucessório comandado pela consultoria Korn Ferry, que foi contratada para encontrar o novo presidente do conglomerado. A empresa afirma que a escolha será feita pelo conselho de administração do grupo, que é composto por cinco membros, sendo três deles independentes. Emílio deixou o comando do conselho em junho de 2018 para sinalizar ao mercado que a família se manteria afastada dos negócios Ele foi condenado na ação do sítio de Atibaia, acusado de ter financiado reforma em sítio frequentado pelo ex-presidente Lula. Ele está recorrendo contra a decisão e, por isso, ainda não começou a cumprir a sua pena. Emilio também firmou acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Entre os termos exigidos pelas autoridades americanas, estava a exigência de que alguns dos 78 delatores da empreiteira seriam afastados de cargos administrativos no grupo. Emílio segue dando as cartas na empresa. O atual presidente do grupo, Ruy Lemos Sampaio, é seu amigo. O filho primogênito e ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, segue afastado da empresa. Pai e filho romperam relações no auge das investigações da Lava Jato, quando Marcelo estava preso na Polícia Federal, em Curitiba. Quem também terá uma função importante na escola é o irmão mais novo de Marcelo, Maurício, que atualmente é um dos membros do conselho da empresa. Inicialmente, a direção atual e a família preferiam que o processo sucessório no grupo ocorresse de forma privada. Segundo pessoas ligadas ao grupo ouvidas pela reportagem, no entanto, a própria consultoria Korn Ferrry acionou o conselho de administração da empresa afirmando que não seria possível tocar o processo seletivo sem que outros funcionários ficassem sabendo. A Korn Ferry recebeu a indicação de três nomes, que já atuam na empresa: Marco Rabello, principal executivo financeiro da holding da família; Juliana Baiardi, atual presidente da empresa de etanol Atvos; e Roberto Simões, presidente da petroquímica Braskem. Executivos e pessoas ligadas à empresa, que pediram para que seus nomes fossem mantidos em sigilo, acreditam que dificilmente a solução será interna. O único consenso é que a palavra final será de Emílio. A empresa afirmou, via comunicado, que "contratou a Korn Ferry, empresas especializada em planejamento sucessório, que está conduzindo entrevistas com candidatos externos e internos." Entre os nomes cotados internamente, Simões já teria dito para interlocutores que não gostaria de assumir o cargo. A escolha de Baiardi seria vista como uma espécie de bandeira branca entre pai e filho. Não há, no entanto, nenhum sinal de trégua entre eles. Fato é que o nome escolhido terá um grande desafio pela frente. Além da briga com Marcelo Odebrecht, terá que lidar com a recuperação judicial do grupo, considerada a maior da história do país, com dívidas totais estimadas em R$ 98,5 bilhões.