SÃO PAULO. O controlador e presidente do Conselho de Administração do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, anunciou nesta sexta-feira feira que deixará o cargo no próximo mês de abril. A decisão foi anunciada nesta manhã, durante reunião anual, que reuniu cerca de 200 executivos do grupo. Emílio Odebrecht dirige o Conselho desde que deixou a presidência executiva do grupo, em 2002.
O nome de seu sucessor deve ser definido nos próximos meses, e o atual vice-presidente do Conselho, Newton de Souza, é tido por pessoas próximas ao grupo como um nome forte para suceder Emílio. Souza assumiu a presidência executiva da holding depois da prisão de Marcelo Odebrecht, em 19 de junho de 2015, e deixou o cargo no início deste.
A saída de Emílio Odebrecht, de 72 anos, do Conselho de Administração é mais um movimento do afastamento da família da empresa. Na semana passado, o próprio empresário havia anunciado que nenhum membro de sua família poderá ser diretor presidente do grupo.
— Durante estes próximos meses — disse ele, em discurso aos executivos na reunião desta sexta em Salvador. — A partir do voto oficializado pelo acionista majoritário, implantaremos as disposições da nova política sobre governança, que define as orientações para a atuação da Odebrecht S.A. como uma holding detentora de um portfólio de negócios autossuficientes. Ou seja, cada um com governança própria, o que lhe garante autonomia para o desenvolvimento e a execução da sua própria estratégia.
A política sobre governança do grupo, entre outras mudanças, estabelece novos critérios para a composição do Conselho de Administração. Fixa em 75 anos o limite de idade dos conselheiros. E recomenda que a escolha deles “deverá prezar pela diversidade de conhecimentos, de experiências e de aspectos culturais, nacionalidade, faixa etária e gênero”.
Outra mudança nas regras de governança estabelece que nenhum conselheiro deve permanecer no colegiado por mais de dois anos. Por isso, novas vagas devem se abrir no conselho do grupo nos próximos meses. Além de conselheiros com mais de 75, há outros que estão no colegiado além do tempo dos novos mandato.
No discurso aos executivos, ainda, o empresário afirmou:
— Hoje, temos consciência de que atuar com Ética, Integridade e Transparência é fundamental para sobrevivermos e voltarmos a crescer. É uma demanda dos nossos Clientes e das sociedades onde estamos presentes — disse, acrescentando: — Quem passou pelo que passamos, aprendeu o que aprendemos, mudou como mudamos e manteve sua cultura e suas qualidades empresariais e técnicas, como nós mantivemos, apesar da saída de muitos companheiros, será certamente a escolha de Clientes e a preferência de parceiros de negócios.

