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Fabricantes tentam estender para o dia a dia venda de chocolate por delivery

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fila do supermercado é a perdição do público que não resiste a um chocolatinho exposto na beira do caixa. Mas se o consumidor vai às compras com menor frequência e tampouco pode entrar em uma loja para pegar só um bombonzinho, como manter a demanda pelos doces? Após a migração forçada para o online das vendas de chocolates da Páscoa e do Dia das Mães -durante o fechamento do comércio não essencial para conter a pandemia do novo coronavírus-, o setor projeta gerar mais receita com o comércio virtual mesmo fora de datas especiais. Desde a Páscoa, marcas com lojas próprias e que não vendiam chocolates no supermercado foram em busca de canais de venda online mais sólidos. Segundo a presidente do Grupo CRM, das marcas Kopenhagen, Lindt, Chocolates Brasil Cacau, Renata Moraes, o maior esforço desde o início do isolamento social foi o de transformar lojas em centrais de delivery, medida que trouxe um giro de vendas positivo nas marcas do grupo. "Além dos drive-thrus nos shoppings, que nos ajudaram bastante, outro ponto fundamental foram os marketplaces. Conseguimos rapidamente fazer parcerias estratégicas com Magazine Luiza, Rappi e Uber Eats, por exemplo, o que também foi importante para as vendas do período", disse Moraes. "Foi uma estratégia adotada na Páscoa e cujo legado continuou para o Dia das Mães. Acabamos evoluindo bastante e tivemos muitos aprendizados em relação às novas ferramentas", acrescentou a executiva. De acordo com o diretor de chocolates da Nestlé Brasil, Leandro Cervi, mesmo com a relevância dos supermercados para as vendas na companhia, a Nestlé começou seu processo de transformação digital há dois anos. "O maior tempo dentro de casa tem mudado as rotinas de muitas pessoas, que estão muito mais conectadas e impactando as vendas no e-commerce e o engajamento em nossos canais digitais. As vendas online, por exemplo, cresceram três dígitos na Páscoa de 2020", disse. Ainda segundo o executivo da Nestlé, tendo em vista o cenário de saúde pública do país, a maior parte dos investimentos em marketing foram direcionados para o comércio online. "Tivemos ações nas principais retail-techs [companhias tecnológicas voltadas para o varejo], plataforma de e-commerce próprio e nos sites dos nossos clientes nacionais e regionais", afirmou Cervi. Mesmo dentre as empresas que ainda não contavam com frentes fortes nos canais digitais, a expectativa é de crescimento. Segundo o presidente da Chocolateria Brasileira, Christian Neugebauer, a companhia precisou adaptar seus canais de vendas pelo Whatsapp e Instagram, bem como para fechar uma parceria com o Ifood. Para o executivo, o comportamento do consumidor já reflete as mudanças trazidas pelo atual cenário e a expectativa é de que as mudanças perdurem. "Acredito que o Natal, outra data importante para o setor, ainda terá um forte resquício do digital, mesmo com as lojas já abertas e funcionando. As pessoas já estão aprendendo a usar esse poder de compra, comparando preços e optando pelos lugares que entregam mais rápido. Essa proporção do online e offline com certeza vai mudar. Seremos cada vez mais digitais", afirmou Neugebauer. Segundo o presidente da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas), Ubiracy Fonsêca, a tendência mais digital já se mostrou forte na Páscoa e nas preparações para o Dia das Mães, com o reforço dos canais de venda online e de serviços de atendimento por delivery ou em parceria com aplicativos de entrega. "Assim como em outros setores, pudemos notar essa mudança de comportamento. A versatilidade do chocolate é um ponto a favor do produto quando se trata de itens presenteáveis e, diante do atual cenário, as empresas do setor continuarão a oferecer seus produtos nos diferentes canais. Cada um possui uma estratégia, mas todos estão trabalhando para garantir essas diferentes opções de acesso", afirmou.

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