NOVA YORK - Poucas semanas após uma primeira leva de negociações, a Twenty-First Century Fox, grupo de mídia e entretenimento de Rupert Murdoch, retomou as conversas para vender a maior parte da companhia para a Walt Disney Company, segundo informações dos jornais “Wall Street Journal” e “Financial Times”. Os ativos incluem as empresas na área de entretenimento — como o estúdio de cinema e os canais de TV a cabo — e aquelas fora dos Estados Unidos — como a fatia de 39% na Sky e o jornal “Star of India”. Caso seja concluído, o negócio poderia mudar o mapa global de mídia.
O valor de mercado da Fox estaria próximo de US$ 60 bilhões e a estimativa de analistas da empresa de análises MoffettNathanson é que os ativos vendidos teriam valor de até US$ 50 bilhões. Com a venda, a Twenty-First Century Fox iria se concentrar no setor de notícias, com o canal Fox News, a rede Fox e os direitos de transmissão de esportes.
A Disney não seria a única interessada nesses ativos. Outras três gigantes do setor estão de olho em abocanhar parte da Twenty-First Century Fox: Comcast (grupo de TV a cabo que é dono da NBCUniversal), o operador de telecomunicações Verizon e a Sony.
Ao mesmo tempo, a Fox tenta concluir a aquisição da Sky — empresa na qual já detém 39%. A empresa de Murdoch também é dona dos jornais “The Times” e “The Sun”, na Inglaterra. E vem enfrentando dificuldades junto aos órgãos de regulação britânicos para aprovar o negócio. Em novembro, a Sky afirmou que pode fechar o canal de notícias Sky News se o fato de ser dona do canal for um obstáculo à aquisição.
O mercado mudou consideravelmente nos últimos anos após a entrada de gigantes como Facebook, Alphabet (dona da Google), Amazon e Netflix. Essas empresas alteraram não apenas a forma como as pessoas consomem mídia, mas também dominaram o segmento de distribuição de conteúdo digital. Para concorrer nesse ambiente, segundo fontes, é preciso ter a escala que a Disney tem, mas a Fox não.
Do lado da Disney, assumir o controle de outro estúdio de cinema e de ativos relevantes em produção de TV, num momento em que se prepara para oferecer canal de distribuição digital direto ao consumidor, é uma oportunidade atraente, considerando ainda a exposição da Fox em mercados internacionais como Reino Unido, Alemanha e Itália. Recentemente, o grupo anunciou que vai retirar seus filmes do Netflix, passando a oferecer dois canais para o consumidor, um para esportes e outro para suas grandes franquias, como “Star Wars” e Marvel.
“A Disney ganharia mais escala em TV e produção de filmes, em canais de TV a cabo, além de adicionar sua própria rede de distribuição ao mesmo tempo em que acelera sua estratégia de vídeo direta ao consumidor”, afirmaram, em nota, os analistas da MoffettNathanson.

