Início Economia Galípolo defende diálogo sobre autonomia financeira do BC, mas evita se comprometer com PEC
Economia

Galípolo defende diálogo sobre autonomia financeira do BC, mas evita se comprometer com PEC

Envie
Envie

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo tem defendido um amplo diálogo sobre a autonomia financeira da instituição em conversa com senadores para angariar votos para sua aprovação.

O atual diretor de Política Monetária do BC, contudo, evitou se comprometer com a PEC (proposta de emenda à Constituição) que concede autonomia financeira à autoridade monetária, em tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Segundo relatos de parlamentares ouvidos pela reportagem, Galípolo tem seguido a mesma linha das declarações públicas que fez sobre o tema.

Em 28 de junho, ele afirmou em evento promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) que a diretoria estava engajada na discussão da "evolução institucional" do Banco Central.

Na fala, o diretor do BC ressaltou a importância de que todas as partes interessadas se sentem à mesa para debater o tema, defendendo a participação dos Poderes Legislativo e Executivo, além da direção e dos funcionários de carreira da autoridade monetária.

"A ideia de autonomia não está relacionada a uma ideia de virar as costas para a sociedade ou não prestar contas para a sociedade ou para o governo ou para o poder democraticamente eleito", disse.

Na visão dele, o debate deve buscar entender possíveis avanços e vantagens com a adoção de um novo modelo e qual regime atende melhor às necessidades da instituição.

Segundo Galípolo, "toda instituição pública ou privada tem que estar aberta a se revisitar sobre as possibilidades de aprimorar seu arcabouço institucional, legal e operacional para cumprir suas metas e objetivos".

O tema da autonomia do BC foi tratado com diferentes senadores, como o relator da PEC, Plínio Valério (PSDB-AM) -com quem Galípolo se reuniu na quinta-feira (5)-, a bancada do PT e Rogério Carvalho (SE), um dos maiores críticos da mudança.

Na conversa com a bancada petista, Galípolo não se posicionou sobre a proposta em tramitação. De acordo com um dos senadores que participou da reunião, Galípolo afirmou que caberá ao Congresso decidir sobre o tema.

Outro parlamentar relata que Galípolo disse, durante o encontro, que alguns pontos da estrutura do Banco Central podem ser revistos.

O governo Lula se viu obrigado a negociar os termos da PEC depois que o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocou a proposta na pauta de votação -em um aceno para a oposição.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), declarou, desde então, que não é contra a autonomia financeira do BC, mas contra a transformação da autoridade monetária em empresa pública.

O relatório inicial da PEC propunha transformar o BC em uma instituição de natureza especial com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira, "organizada sob a forma de empresa pública e dotada de poder de polícia, incluindo poderes de regulação, supervisão e resolução".

Na última versão do parecer, Valério abandonou a ideia de tornar o BC em uma empresa pública e especificou que se trataria de um modelo "jurídico-institucional único".

"Ao invés de se buscar adaptar o instituto jurídico existente de empresa pública às especificidades do BCB, trata-se agora de criar formatação jurídica própria e específica ao BCB", diz um dos trechos do texto.

Senadores dão como certa a aprovação de Galípolo ao comando da instituição e elogiam o diretor do BC. O nome dele deve ser colocado em votação no plenário em 8 de outubro, no mesmo dia da sabatina na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).

"Ele se mostrou preparado, conhece a realidade do país, tem uma posição muito equilibrada em relação à questão de juros", diz o senador Paulo Paim (PT-RS).

"Ele já foi aprovado pelo Senado uma vez. A indicação é do presidente. Posso gostar do Campos Neto, mas não posso nomeá-lo", diz o oposicionista Esperidião Amin (PP-SC), com quem Galípolo também se reuniu na quinta.

Siga-nos no

Google News